O ser humano é um animal político por natureza e só realiza sua potência e alcança a virtude, vivendo em cidade (pólis), nos disse, o grego Aristóteles, definindo Política como a ciência que busca o bem comum e a felicidadena vida em sociedade. A harmonia em sociedade, em que pese ser o objeto e objetivo da Política, é um projeto de difícil consecução, haja vista, as díspares formas de governo, aliado a um senso beligerante de muitos povos e seus líderes.
E a Arte? Nas circunstâncias adversas ao bem comum, a arte é uma forma de denúncia e de formação de consciência.
A obra mais icônica da arte política, é a Guernica, de Pablo Picasso. Foi encomenda do governo Republicano da Espanha, ao já famoso Picasso, para que representasse o ataque aéreo alemão contra Guernica, aldeia basca, em 1937. Esse massacre da população civil aconteceu a pedido e tratativas do próprio ditador General Franco junto aos alemães, contra os espanhóis. Vê-se, não é de hoje que políticos pedem a governante de outro país que ataque o seu próprio.
No Brasil, Hélio Oiticica foi agente da arte política, nos anos 60, em plena ditadura, com sua arte interativa, dirigida contra todo o tipo de opressor. Em 1967, apresentou, no Museu de Arte Moderna do Rio, sua instalação, Tropicália, na mostra, “Nova Objetividade Brasileira”. A obra era um ambiente a ser explorado pelos espectadores. Havia uma cena tropical com plantas, papagaios, areia, seixos, totens um tanto irônicos, da identidade brasileira. Era uma época de rebelião mundial da juventude, final dos 60, e o projeto tropicália vanguardista, de Oiticica, foi adotado por Caetano Veloso, que deu o nome da obra, Tropicália, para um de seus hinos, florescendo como um movimento contracultural. Entrementes, essa aura revoltosa do movimento juvenil, no Brasil, resultou na truculência do AI-5 e, a censura se instalou de vez, em todos os setores, principalmente na arte. Caetano Veloso e Gilberto Gil foram presos em seguida e depois foram para o exílio, assim como, Chico Buarque outros artistas.
O artista paulista, ainda vivo, Antônio Henrique Abreu do Amaral, (1935-), incorporou na sua arte o tema da ditadura e a perseguição política, em seu livro de xilogravuras, “O Meu e o Seu”, com apresentação do poeta Ferreira Gullar, tratando a questão do autoritarismo dos militares no poder. Entre 1968/1973, fez uma série de pinturas com o tema das Bananas, com bananas apodrecidas, espetadas em garfos, uma metáfora para mostrar a tortura cruel que acontecia nas prisões.
Uma de suas pinturas mais explícitas é: “A Morte no Sábado”, em homenagem e denúncia da tortura e assassinato do jornalista Vladimir Herzog, nos porões da ditadura.
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