
(BC 62 ANOS) Balneário Camboriú está completando 62 anos, cidade madura, que sofreu transformações em velocidade recorde, porque era somente uma praia de Camboriú e seis décadas depois virou uma cidade grande no mesmo território miúdo em que foi concebida em 1964.
Muitas pessoas acompanharam esse crescimento ‘meteórico’ e nesta reportagem abrimos espaço para manifestações sobre o que lembram desta evolução, o que marcou para elas, através de uma pergunta:
“Qual é a lembrança mais impactante que você guarda de Balneário Camboriú?”

Dado Cherem – Conselheiro do Tribunal de Contas, reside em Balneário Camboriú desde 1985, foi vereador, vice-prefeito, prefeito e secretário municipal (Governo/Obras e Saúde)
“A primeira memória impactante que tenho foi a eleição do Pavan. Gostem ou não do Pavan, ele virou a chave da cidade que é hoje, ele transformou a cidade. Todos os prefeitos que vieram após o Pavan deram sua contribuição, alguns mais, outros menos, mas com certeza todos deram sua contribuição”.
A segunda imagem impactante para mim foi a construção do bondinho aéreo, que subiu a régua do turismo, impactou o nosso turismo com qualificação e a partir dali os empreendimentos, com certeza, tinham que ter muita qualidade.
E a terceira memória é um impacto negativo, a liberação geral dos prédios que estão sendo construídos hoje em Balneário Camboriú, que tem o céu como limite de altura, me preocupa porque onde tinha quatro, cinco terrenos com 20, 25 pessoas e 8 ou 10 carros, hoje tem prédios com 100, 200 apartamentos, uma coisa violenta a nível de mobilização urbana. Me preocupa porque aonde a cidade vai com esse crescente de pessoas e automóveis? Nunca esquecendo que nossa cidade tem uma densidade demográfica vertical muito alta, muito forte, o que significa que não temos espaço para tanto prédio”.

Osmar Nunes Júnior – Desembargador, 61 anos, reside em Balneário Camboriú desde 1984
“Uma das lembranças mais impactantes que guardo de Balneário Camboriú remonta ao período da pandemia. A cidade, normalmente vibrante e cheia de vida, de repente silenciou. Ruas vazias, comércio fechado e uma sensação coletiva de incerteza que jamais havíamos experimentado.
Naquele momento, porém, também testemunhei algo extraordinário: a capacidade de adaptação das instituições e das pessoas. Vi advogados, magistrados, servidores e cidadãos reinventarem a forma de trabalhar, de julgar, de atender e de servir.
A tecnologia, que até então era apenas um instrumento de apoio, tornou-se essencial para garantir a continuidade da Justiça e da própria convivência humana.
O que mais me marcou não foi o medo, mas a solidariedade. Em meio às dificuldades, percebi o quanto somos dependentes uns dos outros e como o espírito de cooperação pode superar obstáculos aparentemente intransponíveis.
Balneário Camboriú me ensinou, naquele período, que mesmo nos momentos mais difíceis, a esperança e o compromisso com o próximo permanecem como nossas maiores fortalezas”.

José Aparecido Lago – Médico, 70 anos, reside em Balneário Camboriú desde abril de 1985”
“Lembrança de uma cidade que era bem tranquila e que agitava só na temporada de verão. As ruas eram de paralelepípedos e o Hospital Santa Inês era o único da cidade. E desta época em diante que os prédios se tornaram modernos, altos padrões e cada vez mais altos. Hoje é uma cidade moderna, segura e de alto padrão de qualidade de vida”.

Marcelo Abraham Peixoto – 62 anos, empresário, formado em Economia e Administração. Natural de Florianópolis, reside em Balneário Camboriú desde 2001
“A lembrança que considero mais marcante foi a transformação proporcionada pela duplicação da BR-101. Na minha percepção, esse foi um dos acontecimentos que mais contribuíram para impulsionar um novo momento de crescimento de Balneário Camboriú.
A melhoria da rodovia tornou o acesso à cidade muito mais rápido, seguro e confortável, especialmente para quem vinha do Norte, da região de Curitiba e de outras cidades do Paraná. Balneário Camboriú passou a estar “mais perto” desses importantes centros, o que impulsionou o turismo, valorizou os imóveis e fortaleceu a economia local.
A cidade também foi favorecida pelos ganhos de logística e pelo dinamismo econômico regional proporcionados pela duplicação da BR-101.
Desde então, Balneário Camboriú manteve um ritmo consistente de crescimento, consolidando-se como um dos principais destinos turísticos e imobiliários do Brasil.
Recordar esse período também nos leva a uma reflexão sobre o futuro. Hoje, a BR-101 volta a operar próxima do seu limite de capacidade, com congestionamentos praticamente diários ao longo de todo o ano, e não apenas na temporada.
Da mesma forma que a duplicação foi decisiva para o desenvolvimento de Balneário Camboriú, investir novamente na ampliação e modernização da infraestrutura viária será fundamental para que a cidade continue crescendo com qualidade, segurança e competitividade nas próximas décadas”.


Rô Pacheco – Professora de Yoga, 57 anos, reside em Balneário Camboriú há 33 anos
“Vi muita coisa mudar, mas uma lembrança linda eram os barquinhos que atravessavam na Barra Sul o Rio Camboriú para o lado da Barra.
Também sinto falta de algumas áreas verdes, como do antigo jardim na avenida Brasil do ex-prefeito Schultz. Eu tive minha primeira escola de yoga em cima da Tuti’s Pão; então passar pela Avenida Brasil e apreciar aquele jardim era um presente”.

José Paulo Rau – Professor aposentado, reside em Balneário Camboriú desde 1985
“O que mais tem me impactado é a mobilidade, pois a cidade não comporta tantos carros. Antes o deslocamento era tranquilo, agora em qualquer hora, o trânsito é horrível e não tem local para estacionar os veículos.
Hoje está mais fácil ir de Uber do que de carro próprio, mas tem que ter paciência. Assim mesmo sair para algum compromisso tem que ser, no mínimo, uma hora de antecedência e se for para ir a Itajaí, dependendo do horário mais de uma hora”.

Carmen Wegner – empresária aposentada, fundadora da Panificadora Tuti´s Pão em 1972, mora em Balneário Camboriú desde 1963
“A Copa do Mundo 1970, Brasil Campeão, motivou a primeira passeata em Balneário Camboriú, e eu participei. Saímos de camionete e bandeira nas ruas, festejamos com a família e amigos, foi uma coisa inusitada e inesquecível essa comemoração.
Outro fato impactante é o crescimento muito rápido de Balneário Camboriú que todos acompanhamos e continuamos acompanhando, tipo prédios brotando que nem pé de milho…”

Gil Koeddermann – É natural de Balneário Camboriú nascido em 1962, fundador e diretor da empresa Koeddermann Consultores Associados, Doutorando, Mestre e especialista em Licenciamento Ambiental e em soluções sustentáveis. Foi vereador de Balneário Camboriú
“Não tenho dúvida que a BR-101 foi a principal artéria de integração e a responsável pelo crescimento de Balneário Camboriú. É bom lembrar que nossa cidade nasceu em 64, ou seja um ano depois do início da construção da BR-101 (63/71) que foi entregue ao tráfego em 1971.
Antes da BR-101 a nossa cidade era somente uma praia isolada, depois da implantação da rodovia ela impulsionou e provocou uma grande transformação, tornando a cidade um grande polo turístico e imobiliário nacional e internacional, encurtando distâncias para turistas de grandes centros e viabilizando a logística necessária para a massiva verticalização do município que possuímos hoje”.

Carlos Cesário Pereira – Advogado, jornalista, empreendedor comercial frequenta Balneário Camboriú desde os anos 60, residindo temporariamente em alguns períodos e definitivamente desde 1979, atualmente no bairro da Barra
“O grande impacto do desenvolvimento de Balneário Camboriú, na verdade, não foi um momento, foram alguns anos seguidos, com início no final dos anos 70.
Tudo começou com a chegada ou a ‘enxurrada’ de argentinos, quando milhares não vieram só para uma temporada de veraneio, mas sim com o propósito de aqui se estabelecerem comercialmente e residirem, investindo maciçamente na compra de imóveis e estabelecimentos comerciais e serviços.
Com esse impulso a economia local, especialmente na área da construção civil, expandiu vertiginosamente e foi bem correspondida e acompanhada pela administração pública, com início na gestão de Leonel Pavan.
Digo isso sem constrangimento, apesar de nossas conhecidas divergências passadas, hoje superadas.
Muitos outros empresários, empresas, administradores públicos, profissionais liberais e políticos participaram dessa grande transformação de Balneário Camboriú, cujos nomes deixo de mencionar por falta de espaço para tanto”.

Domingos Casimiro Pinheiro – É natural de Camboriú, nascido em 1962, sócio-proprietário do Barco Pirata
“Como nativo, vivendo a vida toda nessa cidade, o que me impressionou foi o desenvolvimento na área dos arranha-céus. Jamais imaginava que Balneário Camboriú iria se desenvolver tão rápido verticalmente.
Outro impacto que me impressionou foi no turismo, há 43 anos trabalho com turismo e hoje a cidade é este polo turístico, com tantos equipamentos que trabalham o ano todo. Nossa cidade hoje supera toda Santa Catarina como o município que tem vida própria no turismo, principalmente no turismo náutico”.

Pedro Cabral – É natural de Balneário Camboriú, nascido em 1965, médico
“Uma lembrança de impacto nos dias atuais seria uma conversa com meu pai, que me contava que quando vinha de Itajaí, de carroça pela praia, lá pelos anos 50, 60, encontrava muitas vezes bois (muitas vezes dele) que vinham das terras do seu Bibi (pai do Renato Garcia) até o mar…
Tem outra história que meu pai sempre contava, igualmente impactante…eles eram três irmãos, o mais velho chamava Mário e tocava acordeão, tinha bastante amizade com o pessoal aqui do centro e a família do Zé da Bilica tinha um terreno muito grande na frente da avenida Atlântica e ele gostava muito do meu tio.
Quando meu tio casou, ele disse, ‘seu Mário, pode ir lá escolher um terreno de frente para o mar para fazer tua casa e uma hortinha, pode pegar um terreno pra ti lá. Aí meu tio Mário foi falar isso para o meu avô e o meu avô disse ‘pra que tu queres aquele terreno lá, aquilo só serve para ter roseta e plantar melancia…e aí meu tio não aceitou o presente e acabou fazendo a casinha dele perto do meu avô, ali na região do hotel Fischer”.

André Furlan Meirinho, 43 anos, Administrador e Professor, foi vereador, reside em definitivo em Balneário Camboriú desde 2001
“Uma das lembranças mais marcantes é da minha infância, na década de 1980, quando ia à praia central, próximo ao Marambaia, com a Tia Juça e meus primos Rodrigo, Fernanda e Ricardo. A água do mar era transparente e víamos peixes, conchas e estrelas-do-mar. Passávamos horas construindo castelos na areia, comíamos batata, casquinha e tomávamos limonada. Sempre passávamos as férias na casa da Vó Anúncia, no bairro Pioneiros, na esquina da Miguel Matte com a Rua Alípio Evilásio Meirinho (meu avô). Época em que o bairro Pioneiros não tinha prédios e era possível ver o mar do segundo andar da casa”.

Renato Aiolfi – Surfista, empresário, 46 anos, reside em Balneário Camboriú desde 1980
“Entre minhas maiores lembranças estão as brincadeiras com os amigos, jogando bola na calçada e até no meio da rua ‘atlântica’, onde no Pontal Norte à noite, durante a semana no inverno, não passava ninguém. Bons tempos de uma cidade que ainda era pequena na sua população”.

Margot Rosenbrock – Hoteleira, 56 anos, reside em Balneário Camboriú há 50 anos, desde 1976
“São muitas lembranças, mas creio que a maior delas é da Interpraias antes de ser Interpraias… antes dos anos 2.000 (quando foi inaugurada a rodovia) …
Eu sempre fui apaixonada pelas praias agrestes e especialmente por Taquaras. Chegar lá, antes da Interpraias, não era fácil, mas era muito lindo. Autêntico. Era uma recompensa para quem encarava a estrada de chão e a morraria.
A Interpraias descortinou para o turismo paisagens belíssimas.
É lindo, ainda é muito lindo e há tempos é fácil chegar; mas só quem encarou a poeira e os pedregulhos, viu a praia deserta e comeu um peixinho lá no ‘Bar do Zeca’ sabe do que eu estou falando. Saudades”.


Sigrides Olsson, 80 anos, professora aposentada, reside em Balneário Camboriú há 48 anos
“Balneário Camboriú era uma cidade tranquila. Mas hoje o que mais me choca é o trânsito louco da cidade. Não respeitam mais calçadas, nem locais proibidos para estacionar. Além da falta de manutenção de ruas e tubulações de esgoto”.

Juliano Luís Cavalcanti – Advogado, 55 anos, natural de Imbituba, reside em Balneário Camboriú desde 1984
“Uma lembrança que me marcou foi a vinda do ex-presidente do Paraguai, Raul Cubas, em 1999, ele havia renunciado e recebeu asilo político no Brasil.
Lembro que a avenida Atlântica ficou interditada e na época as chamadas da imprensa ao vivo eram feitas com grandes equipamentos e havia emissoras do mundo inteiro, além disso protestos contra o político, que estava refugiado em um apartamento aqui em Balneário Camboriú”.

Dalys Marlene Musskopf Geiser – Aposentada, gaúcha de nascimento, reside em Balneário Camboriú há 48 anos
“Minha lembrança mais marcante de Balneário Camboriú é a transformação extraordinária que vivi ao longo de 48 anos. Cheguei quando a cidade ainda tinha um ritmo tranquilo, onde as crianças brincavam nas ruas e era possível criar os filhos com a sensação de segurança e proximidade entre as pessoas. Guardo com carinho essa Balneário Camboriú acolhedora, de praias, vizinhos e uma vida simples.
Ao longo das décadas, acompanhei um crescimento impressionante. A pequena cidade litorânea tornou-se referência nacional e internacional, reconhecida por sua inovação, ousadia e pelos arranha-céus que hoje desenham uma das silhuetas mais altas, icônicas e imponentes do Brasil.
Ver essa transformação é emocionante. Tenho orgulho de ter testemunhado cada etapa dessa história: da tranquilidade de uma cidade em formação ao dinamismo de um dos maiores símbolos do desenvolvimento urbano brasileiro.
Parabéns, Balneário Camboriú, pelos seus 62 anos. Que continue crescendo, sem perder a essência que conquistou tantos corações e fez tantas famílias, como a minha, chamarem este lugar de lar”.

Delmo Dumke – médico, 68 anos, reside em Balneário Camboriú desde 1965 –
“Lembrança: Baturité”