Adolescentes de Balneário Camboriú vão receber absorventes da prefeitura

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A prefeitura de Balneário Camboriú, através da Secretaria de Inclusão Social, lançou o programa ‘Meu novo ciclo’, semelhante ao projeto ‘Borboleta de Menarca’, proposto pela vereadora Juliana Pavan, aprovado em julho por unanimidade na Câmara (clique aqui), e vetado pelo prefeito Fabrício Oliveira um mês depois (clique aqui). Os mesmos vereadores que apoiaram o ‘Borboleta’, aprovaram o veto (clique aqui).

(Divulgação/PMBC)

Secretária nega ligação com o da vereadora

A secretária de Inclusão Social, Christina Barichello negou que o ‘Meu novo ciclo’ tenha ligação com o projeto proposto por Juliana, o ‘Borboleta de Menarca’. 

“Um vereador não pode fazer um projeto que exige recurso do município. O projeto [Borboleta] pode ter ideias boas, mas teve vício de origem. O nosso projeto foi um pedido do prefeito, para atender meninas em vulnerabilidade, não só em vulnerabilidade econômica. Não é só sobre entrega da absorventes, é um programa. Teremos uma personagem, a Mi, que é uma adolescente, que vai responder todas as dúvidas que as meninas possam vir a ter”, afirma.

Como vai funcionar 

Christina salienta que o programa será uma ferramenta importante para orientar e se preciso até encaminhar essas meninas para acompanhamento psicológico via programa 

Abraço, porque o tema ainda é tabu em muitas famílias. 

“Por isso teremos esse contato via fone (47)  9 9982-1877- que funcionará das 7h às 19h (ou Instagram @meunovociclo.bc), para tirar dúvidas das meninas.”, acrescenta. 

Como participar

(Divulgação/PMBC)

Para receber o kit [uma nécessaire onde vem absorventes e um bombom – ‘um mimo, já que a mulher quanto está na TPM sente mais vontade de comer um doce’] a menina precisa ser cadastrada em um dos quatro Centros de Referência de Assistência Social (CRAS) do município, na Casa da Mulher (Rua 2.850, no centro da cidade) ou no Centro de Convivência da Família (que fica na Rua Itália, no Bairro das Nações). “Queremos chamar a atenção para esse novo ciclo da vida das meninas, e também pela responsabilidade, já que a partir desse momento elas podem engravidar. Por isso, a Mi fará palestras a partir do ano que vem nas escolas, vamos iniciar nos colégios municipais, mas é aberto a todos, se chamar a Mi ela vai, junto com a equipe de psicólogos que temos”, afirma.

A secretária acredita que o programa vai dar suporte emocional nesta fase da adolescência. 

“As mulheres em situação de rua já recebem absorvente através da Inclusão Social, assim como as jovens da Casa do Adolescente. Este novo programa é focado nessas outras adolescentes. Para participar do ‘Meu novo ciclo’ tem que se cadastrar, mas o telefone para tirar dúvidas é independente disso. O suporte emocional da menarca vai ser independente da questão econômica. Na segunda etapa do programa vamos entregar ainda o coletor menstrual, já está previsto para o ano que vem, fizemos a licitação, mas não chegaram ainda [os coletores], que são reutilizáveis”, completa.

Vereadora Juliana opina sobre o ‘novo’ projeto

A vereadora Juliana Pavan não gostou nada da situação, lembrando que o prefeito Fabrício Oliveira a chamou em seu gabinete, e disse, na ocasião, que tinha interesse em colocar o Borboleta em prática (https://pagina3.com.br/politica/em-reuniao-prefeito-fabricio-oliveira-demonstrou-interesse-em-colocar-em-pratica-borboleta-de-menarca/). 

O programa foi apresentado na sessão desta terça-feira (7) pelo vereador Gelson Rodrigues. 

“Implantaram sem votação nenhuma, e o prefeito falou que enviaria para a Câmara e ainda que me chamaria para construirmos juntos o projeto. Nunca ele, a Christina ou qualquer pessoa me chamou. Ontem (terça-feira) levaram também os kits para cada um dos vereadores, que é uma nécessaire, absorventes, bombom e um QR Code para tirar dúvidas via WhatsApp, além de uma camiseta. Aliás, esse kit, com todo respeito pela equipe do CRAS, é uma cópia”, colocou.

Atitude ao contrário

“O ‘Borboleta’ foi construído a várias mãos, em cima de relatos de meninas que estudam na rede municipal e que sentem necessidade”, relata a vereadora, dizendo que a atitude do governo municipal vem ao contrário ‘de tudo o que o prefeito disse’ para ela, quando a chamou para falar sobre o veto ao ‘Borboleta’. 

“O projeto não era inconstitucional, tanto que o próprio Jurídico da Câmara foi contrário ao veto total. Eu expliquei tudo na época, disse que não falava em comprar o absorvente e sim para fazerem parceria com associações, que parece que é o que vão fazer agora. Mas deveriam distribuir nas escolas, pois vejo que é complicado esperar que as meninas vão até o CRAS se cadastrar. Quando a menarca vem, ninguém sabe quando vem, por isso precisa ter absorvente na escola. Vejo que é mais uma propaganda institucional do que um projeto. Fico feliz por terem a iniciativa e por terem entendido, através da nossa proposição, a importância de implantar no município um programa direcionado para a questão da pobreza menstrual, e espero que possam atender a grande demanda que temos no município, mas é mais uma propaganda institucional”, pontua.

Foco era estar nas escolas

A vereadora lembra que o ‘Borboleta’ previa ações preventivas, como rodas de conversa com psicólogas da prefeitura sobre gravidez na adolescência e doenças sexualmente transmissíveis. 

“O foco seria estar nas escolas, onde as meninas estão. É difícil pensar que se a menina ficar com dúvida vai pegar o celular, QR Code, para ver se alguém a atende. Não vai fazer isso. No nosso projeto, apresentamos direto rodas de conversa tirando as dúvidas nas escolas, com informações adequadas para ampliar a humanização da saúde feminina”, afirma. Juliana vê que demandava organização das secretarias de Educação e Saúde, mas que isso era possível. 

“Ainda prevíamos a oferta de métodos contraceptivos e itens de higiene menstrual também para mulheres que necessitam. O ‘Borboleta’ era amplo, por isso também solicitamos que a prefeitura fizesse um estudo qualitativo e quantitativo, focado nas escolas, acolhendo de forma humanizada, e com a migração gradativa para o coletor menstrual, que é reutilizável, pensando na questão da sustentabilidade”, destaca.

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