Alargamento da faixa de areia foi discutido em reunião com a comunidade, saiba como foi

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Tubarões que na realidade são cações, formação de ondas para a prática do surf, projeto de urbanização do alargamento, a distância dos guarda vidas, as fake news, as mudanças na praia, o plantio de restinga, a despoluição do rio Marambaia e várias outras dúvidas e questionamentos surgiram na reunião realizada na noite de segunda-feira (25), no Marambaia.

Reunião (Foto Renato Angelis)

Comunidade, vereadores, membros do governo municipal e representantes do Consórcio Jan de Nul, responsáveis pelo alargamento da faixa de areia da praia central de Balneário Camboriú  discutiram todas essas questões e surgiu a sugestão de fazer mais encontros como esse, porque as pessoas têm muitas dúvidas. 

A obra está próximo a rua 1701 (Reprodução)

O Página 3 ouviu alguns participantes, que aprovaram o encontro, falaram das últimas novidades da obra, que será finalizada neste próximo mês.

Acompanhe:

Nenhuma restrição quanto ao surf

(Joabe)

Luis Renato Angelis, biólogo e surfista, foi um dos organizadores da reunião“As expectativas foram atendidas porque a prefeitura foi bem representada, contamos com a participação do secretário de Obras, Osmar de Souza Nunes Filho, o Mazoca, a secretária do Meio Ambiente, Maria Heloísa Lenzi, e o engenheiro Toni Fausto Frainer, que é da prefeitura, mas representou a conexão com o Consórcio. Participaram engenheiros, mas eles preferiram que o Toni falasse em nome deles. 

O pessoal da CARUSO Soluções Ambientais & Tecnológicas também participou, que é a empresa que está fazendo o monitoramento ambiental. Inclusive achei muito bacana porque eles estão com uma base no Pontal Norte, um container, onde os moradores podem procurar para tirar dúvidas, que vai ficar por mais um ano lá. 

A prefeitura destacou muito a importância de acompanharmos o site deles, porque nas redes sociais podem ter informações desconexas. 

Uma preocupação nossa era se o surf precisaria ser interrompido, e não haverá nenhuma restrição, só pediram para tomarmos cuidado nas proximidades da obra, não ficar muito próximo de onde estão soltando os jatos de areia. 

Os guarda-vidas também pediram alerta quanto as correntes de retorno, que estão mudando. 

A temporada tende a ser atípica por conta dessas mudanças. Os guarda-vidas também falaram da instalação de postos na areia, que já começam a ser instalados, para ficarem mais próximos dos banhistas e surfistas. 

A questão dos tubarões também foi abordada, tanto os bombeiros quanto o Meio Ambiente veem que a presença deles é um bom sinal, porque mostra que a condição da água está propícia para animais marinhos e essas espécies que vêm aqui não vão atacar as pessoas, não são agressivas. 

Não deve ser motivo de medo para a população. 

Os tubarões sempre estiveram aqui, mas a gente não via. 

Algo que abordei também foi a questão da formação das ondas para a prática do surf, já que a tendência é haver modificação, com ondas mais curtas e próximas da praia. Pode demorar um tempo para se ajustar conforme a areia for movimentando – só vamos saber como ficará na próxima temporada, 2022-2023. 

Uma opção que sugeri foi um parque de ondas artificiais ou uma bancada que pode ser até de areia para formação de ondas, que podemos ter na ponta da Praia do Coco. 

Poderia ser criada uma onda de nível internacional, é possível, viável, tem estudo de um oceanógrafo sobre isso. Seria de baixo impacto, baixo custo, e o surf merece. Seria um surf park para Balneário Camboriú”.

Alargamento da Praia Central de Balneário Camboriú (Ivan Rupp)

Tubarões, alterações no mar e restinga

Maria Heloísa Lenzi, secretária do Meio Ambiente de Balneário Camboriú“Não havia uma pauta muito clara, além do alargamento da faixa de areia, então chamaram os bombeiros para explicar sobre a situação da praia e a prefeitura foi chamada para sanar dúvidas, eles também querem saber sobre a situação do Rio Marambaia (terá uma reunião com a Emasa, em novembro), além do futuro projeto de reurbanização e a questão dos tubarões – que é quase impossível, muito próximo de zero, a chance de ter ataques, não existe histórico aqui, a não ser o incidente do Estaleiro, quando o rapaz mergulhou na boca do tubarão. 

Foi uma irresponsabilidade muito grande os vídeos que circularam e as manchetes sensacionalistas, que realmente prejudicam e não condizem com a realidade. 

Sobre a mudança do mar, a princípio não haverá alteração, a praia deverá voltar a ter a estabilidade que tem hoje. 

Quanto à restinga, nós vamos plantar espécies herbáceas, vegetação rasteira, não há arbustivas no projeto. 

O foco é segurar e fixar a areia. 

Primeiro temos que ter a empresa vencedora da licitação, então produziremos as mudas e começaremos a plantar. Muito provavelmente iniciará somente no ano que vem”.

Praia Central de Balneário, área já alargada (Reprodução)

“Fui lá esperando explicações técnicas”

César Rafael Sedrez Gonzaga, presidente da Associação de Moradores do Bairro Pioneiros (AMPI) –  “Foi uma reunião com um bom público. Percebi claramente, a necessidade que os moradores têm, de informações sobre vários setores, cito particularmente dois: a finalização urbanística da orla após reestruturação e a quantas anda, as atitudes do poder público no que diz respeito a despoluição e reestruturação urbanística do Canal Marambaia, para que possa se tornar mais um atrativo turístico de Balneário Camboriú. 

Mas também foi questionado sobre mobilidade urbana, segurança nas praias (guarda-vidas), e a ‘moldura’ do molhe, a se estender pela orla, que dizem que vai até a Rua 1.901, que já tem vídeo, que o pessoal está super ansioso para saber se precisaremos andar 1km para pegar praia, etc. 

Também foi questionado o relato carregado de emoção sobre os encontros com cações que passaram a ser chamados de tubarões (fora da panela, cação é tubarão rsrs). 

Fui lá esperando explicações técnicas, da equipe de engenheiros que estão fazendo a reestruturação, mas não houve. 

Já vi vídeos bastante interessantes que agregam conhecimento, como quantos metros de areia puxa por hora, quanto tempo para terminar, como as chuvas podem afetar, qual é o declive. 

Quem apaziguou a ansiedade com bons argumentos, foi a secretária do Meio Ambiente, Maria Heloísa. 

No mais, faltou a parte técnica embasada em resultados anteriores e números, datas, previsão etc. 

Está aquele monte de areia na praia, bonito, mas as pessoas queriam saber mais”.

(Ivan Rupp)

“Recebemos muitos questionamentos da comunidade, mas ninguém tem nada concreto”

André Meirinho, vereador“Foi bem relevante a reunião, principalmente porque foi convocada pela comunidade, os próprios moradores se reuniram e pediram. 

Tratamos de vários temas que a comunidade tinha dúvida, os mais diversos, e foi apontado que a prefeitura precisa deixar o assunto (a obra) de forma mais clara, pois gera dúvidas e fake news. 

Trataram da declividade, mudança das ondas (disseram que é provável mudar, mas não sabem como vai ficar), a restinga que vai ser plantada, pois tinha gente achando que seria quase uma ‘floresta’. 

Realmente havia fake news das mais diversas. 

Os tubarões também foram alvo de debate, uma bióloga explicou que aqui não tem tubarão perigoso, como o branco, e que apesar de incidentes poderem acontecer, é improvável que ocorra algo sério. 

Segundo ela colocou, não é perfil do sul ataques de tubarões. Há a preocupação também com a distância dos guarda-vidas até o mar, já que eles não tem efetivo suficiente para cobrir todos os cantos exigirá estratégia diferenciada. 

Houve muita cobrança, algo tradicional, da comunidade com a despoluição do Rio Marambaia, além de questões do entorno, como vai ser a infraestrutura da orla. 

Eu fiz um requerimento na última semana convocando o Rubens Spernau a ir na Câmara, porque ele é que está responsável por essa parte. 

Recebemos muitas informações e questionamentos da comunidade, mas ninguém tem nada concreto. 

O auditório estava cheio, muitas pessoas tinham dúvidas, estavam preocupadas. 

Foi importante o governo estar presente e prestar esclarecimentos. 

Questionaram também sobre banheiro químico, sobre como vai ser na orla, vários vereadores já pediram isso também e agora depende do governo municipal. Em geral, a reunião foi bem positiva”.

(Reprodução)

“A praia mudou, todo mundo sabe”

Eduardo Zanatta, vereador – “Eu tenho um pedido de informação ao 13º Batalhão de Bombeiros Militar porque uma preocupação levantada tanto pela comunidade quanto pelo próprio grupo de busca e salvamento aquático é que, com o alargamento da faixa de areia e a expectativa de alto número de turistas, vão aumentar também as questões de segurança pública. 

Considerando isso, não pode haver o mesmo planejamento das últimas temporadas e a principal é termos mais guarda-vidas (ao Página 3, o comandante dos bombeiros disse que vão trabalhar 110, saiba mais aqui, já que eles lidam com outras questões além do salvamento aquático, como insolação, crianças perdidas. 

Os postos não podem ficar onde estão hoje, precisam estar mais próximos. Foi citado também que o mar já está mudando. 

A praia mudou, todo mundo sabe, por isso é preciso um planejamento diferente. 

Já recebi relato de mulheres que estavam caminhando na beira do mar e voltaram para a calçada por se sentirem inseguras pela distância. A reunião foi muito positiva, pudemos tirar muitas dúvidas também, já que há muita notícia falsa sobre o alargamento, e assim tivemos informações corretas”.

Faltam alguns dias para a finalização do alargamento (Reprodução)

Vereador sugere mais reuniões como a de segunda-feira

Alessandro Kuehne (Teco), vereador “Os moradores solicitaram a reunião porque queriam esclarecimentos, foi importante essa explanação, a prefeitura e o Consórcio passaram informações para a comunidade, para que o público esteja ao par do projeto do alargamento. 

Nós vereadores somos cobrados diariamente sobre esse assunto, e de fato há muita dúvida, como a faixa de areia do Pontal Norte (há um projeto que cita a criação de um ‘parque’ no local), as preocupações com os tubarões também. 

Inclusive vejo que poderiam existir mais reuniões como essa, porque virão diversas etapas agora. 

A praia ficará sendo monitorada por mais de um ano para saber como ficará. 

Vejo que há um ponto complicado, as fake news. 

Quando as pessoas criam um fato que pode trazer insegurança, como o tubarão, é ruim. 

Precisamos de responsabilidade para falar de Balneário Camboriú. 

As pessoas escutam essas coisas, acreditam e pode ser negativo. 

Estive em Florianópolis justamente para falar com o comando geral dos Bombeiros sobre a segurança, pedindo que haja um corredor para auxiliar no fluxo dos quadriciclos e dos próprios guarda-vidas, porque se a população encher muito a praia vai atrapalhar nessa mobilidade. 

Temos que pensar em estratégias que ajudem e não que atrapalhem. 

Levei também a preocupação com as crianças perdidas, porque pode aumentar ainda mais devido à quantidade do espaço para as crianças se perderem, e já tive a resposta que pensarão em medidas, como intensificar a identificação de crianças com as pulseiras”.

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