(Reprodução Sindicom-DF)

Alunos da Udesc mantinham lista que classificava alunas como ‘mais estupráveis’ em Balneário Camboriú

Caso envolve seis estudantes homens do curso de Engenharia de Petróleo; direção do Cesfi afirma que alunos foram identificados, comissão acompanha o caso e informações também foram encaminhadas à polícia e ao MP

Uma denúncia envolvendo estudantes do curso de Engenharia de Petróleo da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), em Balneário Camboriú, está sendo apurada pela instituição e também foi encaminhada às autoridades policiais. Segundo relatos recebidos pelo Página 3, um grupo formado por seis homens teria criado uma lista intitulada “as mais estupráveis da UDESC”, na qual estudantes mulheres eram classificadas.

Além da lista, a denúncia aponta que integrantes do grupo teriam fotografado alunas enquanto elas estudavam, sem conhecimento ou autorização, e utilizado inteligência artificial para produzir montagens nas quais as estudantes apareciam usando biquínis.

O Página 3 conversou nesta quarta-feira (12) com o professor Oséias Alves Pessoa, diretor-geral do Centro de Educação Superior da Foz do Itajaí (Cesfi), unidade da Udesc localizada em Balneário Camboriú. Ele confirmou que a universidade tem conhecimento do caso, que os estudantes envolvidos foram identificados e que há uma comissão acompanhando a situação.

Grupo teria sido descoberto após namorada de integrante acessar conversas

De acordo com o relato encaminhado ao Página 3, as estudantes não tinham conhecimento da existência do grupo. A situação teria sido descoberta depois que a namorada de um dos integrantes teve acesso às conversas e procurou as alunas, por meio de um áudio, para contar o que havia encontrado. A partir disso, outras estudantes foram informadas e o caso foi levado à Udesc.

As denunciantes afirmam que procuraram a imprensa diante da gravidade do conteúdo e por buscarem esclarecimentos sobre a apuração, além de medidas de proteção às estudantes envolvidas.

Udesc diz que procedimento disciplinar está em andamento

Oséias explicou ao Página 3 que existe um rito processual interno que precisa ser respeitado e que o procedimento está sendo seguido integralmente pela universidade. Segundo o diretor, a Udesc conseguiu identificar os estudantes apontados no caso e uma comissão está acompanhando a apuração. Internamente, a universidade analisa os fatos sob o aspecto disciplinar.
Como as conversas e parte dos fatos denunciados teriam ocorrido em uma plataforma externa, sobre a qual a universidade não possui gerenciamento, o caso também foi encaminhado às autoridades competentes.

Caso foi encaminhado à polícia e levado ao MP

O diretor informou ainda que todo o material relacionado ao caso foi encaminhado às autoridades policiais. Segundo ele, há acompanhamento da delegacia e representantes da instituição também estiveram no Ministério Público para tratar da situação.
Oséias explicou que a universidade trabalha em duas frentes: internamente, com a avaliação das eventuais implicações disciplinares; e externamente, colaborando com as autoridades responsáveis pela investigação de possíveis ilícitos.

Ele ressaltou que o procedimento pode não avançar na velocidade esperada pelas pessoas envolvidas, justamente porque a universidade precisa observar os regramentos e normas aplicáveis a esse tipo de apuração.

Segundo o diretor, a situação está sendo tratada com a seriedade exigida pela Udesc e os encaminhamentos necessários estão sendo realizados.

Alunas estão sendo assistidas

A direção do Cesfi informou também que as estudantes envolvidas estão recebendo acompanhamento e assistência da universidade durante o andamento do caso.

A apuração interna segue em andamento e, até o momento, não há conclusão divulgada sobre eventuais responsabilidades ou medidas disciplinares.

Por esse motivo, o Página 3 preserva a identidade dos envolvidos no caso, que também permanece sob acompanhamento das autoridades externas acionadas pela universidade.