A arte é fruto de seu tempo. No início do século XX o Brasil vivia um momento de oportunidades e otimismo o que exigiu mudanças na arte também. Duas mulheres, Anita Malfatti e Tarsila do Amaral impulsionaram essa mudança. Faziam parte do Grupo dos Cinco, (Anita, Oswald de Andrade, Mário de Andrade e Menotti Del Picchia) e tiveram papel central na Semana da Arte Moderna de 1922, em São Paulo. Embora Tarsila não tenha comparecido ao evento, sua influência foi muito importante para uma transformação da arte no país.
Tarsila vinha de uma família burguesa e fazia viagens pelo mundo numa época que era incomum, vivia entre Paris e aqui. Desenvolveu uma linguagem artística própria: formas exageradas, membros corporais distorcidos, cores fortes, como mostram suas obras: O Ibaporu, o Carnaval em Madureira e A Negra. Influenciada pelos cubistas, por suas viagens e pela arte popular brasileira, delineou a identidade nacionalista do nosso povo, com temas de referências míticas, folclore guarani, canibais, favelas e áreas industriais.
Tarsila contribuiu para o movimento Antropofágico com sua série Antropofagia, iniciada em 1928. Sua obra icônica, O Ibaporu, significa “homem que come”, na cultura guarani, foi palavra escolhida pelo marido de Tarsila, Oswald de Andrade, para escrever o Manifesto Antropofágico, significando a ideia de “devorar” a cultura estrangeira para deglutir uma arte original que refletisse nossa herança brasileira.
O Ibaporu, símbolo da arte brasileira está na Argentina, no Museu de Arte Latinoamericana de Buenos Aires, o Malba. Vendida por seu antigo dono, Raul Forbes, em 1995, num leilão, na famosa Christie’s, em NY, adquirida por um colecionador argentino, Eduardo Constantino, por US$ 1,35 milhão de dólares. Em 2011, quando exposto o Ibaporu no Palácio do Planalto, a então presidente Dilma indagou o preço para repatriar a obra e Constantino valorou em US$200 milhões. Não se falou mais no assunto. Em uma entrevista ao jornal La Nación, declarou que não a venderia nem por aviões de dinheiro.
Com a ditatura militar de 1930, (foi presa um mês por filiação ao Partido Comunista e viagem à União Soviética), e com a crise financeira seu padrão de vida e seus temas mudaram.
Morreu em 1973, já no quarto casamento. Seu final de vida foi difícil com as mortes trágicas da única filha e neta.
Em 2019 no MASP, Museu de Arte de São Paulo, houve a exposição “Tarsila Popular” com 52 obras entre elas o Ibaporu e Antropofagia. Continua sendo uma artista reconhecida internacionalmente. Em 2018 o MOMA, NY, fez uma exposição sua.

