Dado Cherem: “Mais cedo ou mais tarde a conta vai chegar, seja pela justiça ou pelo voto”

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O conselheiro do Tribunal de Contas de Santa Catarina, Dado Cherem, relator da Comissão criada em março deste ano, para acompanhar o cenário pandêmico no Estado, vem se manifestando com preocupação sobre a falta de fiscalização e o desrespeito de parte da população que insiste em não cumprir os protocolos.

“Se eu fosse o presidente, pararia o país e iria cuidar das pessoas em todos os sentidos!” 

Dado Cherem

Dado Cherem que já foi presidente do TCE/SC, deputado estadual, secretário de Saúde do Estado, secretário de saúde, vice-prefeito e prefeito interino de Balneário Camboriú, entre outras funções políticas, tem larga experiência e conhecimento na área da saúde pública e falou ao Página3 sobre a relatoria temática que vem exercendo. Acompanhe:

JP3 – Qual é o objetivo desta comissão?

Dado Cherem – Acompanhar os devidos processos legais de tomada de decisões de gestores municipais e estaduais e acompanhar cientificamente se estão aplicando os protocolos sanitários.

“Morreu gente demais por falha do poder público associado à irresponsabilidade de muitos”

Dado Cherem

JP3 – As medidas preventivas de enfrentamento e combate à pandemia em Santa Catarina estão correspondendo à expectativa da relatoria?

Dado Cherem – Como começaram errado tiveram que trocar o pneu com o carro andando, esse negacionismo da ciência foi muito ruim e a conta sobrou para os prefeitos.

JP3 – Como avalia a situação da pandemia em Santa Catarina?

Dado Cherem – Aparentemente com o aumento da imunização e com novo comandante na SES acredito que melhorarão todos os índices.

JP3 – Até aqui, os piores meses para os catarinenses foram março e abril. Onde falhamos?

Dado Cherem – Em negar a ciência e o afrouxamento dos protocolos em novembro e dezembro.

JP3 – Todos os finais de semana acompanhamos a movimentação da fiscalização de posturas, agentes de segurança, agentes da saúde, mas o cenário também se repete: apesar da fiscalização, as praias ficam cheias, festas acontecem, aglomeros são denunciados… o Estado e municípios estão fazendo sua parte, através dos protocolos emitidos, mas parte da população não acredita na pandemia, é isso?

Dado Cherem – A partir do momento em que o maior ‘líder’ político desse país estimula maus exemplos e nega várias importantes decisões a serem tomadas, você cria uma identificação de pessoas com isso, hoje somos pária mundial na condução de várias políticas públicas e a maior é a condução de enfrentamento da pandemia.

JP3 – Neste final de semana o governo publicou um novo decreto, liberando praias, parques etc. Qual a opinião da relatoria sobre o novo decreto?

Dado Cherem – Acredito que a secretária Carmen (Zanotto) fez com muito cuidado.

JP3 – Onde o perigo é maior, na praia ou em lugares fechados como restaurantes, baladas?

Dado Cherem – Em lugares fechados, sem dúvida.

JP3 – Como a comissão avalia a situação econômica no Estado, diante da pandemia?

Dado Cherem – A nossa comissão avalia a saúde, mas não tenho dúvidas que saúde e economia são linhas paralelas e não podem ser perpendiculares; quando uma cruza a outra, uma perde. Repito: entendo pouco de economia, mas se eu fosse o presidente pararia o país e iria cuidar das pessoas em todos os sentidos. Da saúde das pessoas e da economia das pessoas, o resto ficaria para depois.

JP3 – Acha que lockdown total por duas semanas poderia ter mudado esse cenário de mortes que o Estado vem registrando?

Dado Cherem – Não tenho dúvidas, por isso disse que erraram no começo nas tomadas de decisões, ficaram com medo da pressão econômica e depois ficaram fazendo de conta que estavam confinando e isso só gerou irritação e preocupação; o resultado está aí, um desastre sanitário.

JP3 – Que ações podem decorrer dessa comissão?

Dado Cherem – Tenho um entendimento pessoal que tem que haver responsabilização por ações e omissões. Mas isso será decidido pelo pleno.

JP3 – Qual sua opinião sobre a pandemia no país?

Dado Cherem – Morreu gente demais por falha do poder público associado à irresponsabilidade de muitos, perdemos muitos entes queridos e muitos tiveram seus comércios seriamente comprometidos.

JP3 – Como enxerga o Brasil e SC pós pandemia?

Dado Cherem – Acredito que como tínhamos um sistema público de imunização que era exemplo mundial não precisaríamos ter esse rótulo de política pública genocida.

JP3- Espaço aberto…

Dado Cherem – Mais cedo ou mais tarde a conta vai chegar, seja pela justiça ou pelo voto. O Brasil e os brasileiros não mereciam passar por isso por conta de seres desumanos e irresponsáveis. Abro um parêntese aqui para agradecer aos profissionais da saúde e da segurança que se esforçaram de maneira muito determinada para honrarem suas profissões e suas crenças. Se hoje existem heróis são eles. Espero que o mundo tire um exemplo bem profundo desse momento e valorize aquilo que merece ser valorizado como a vida, a família e os amigos.

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