Dia Mundial da Fotografia, uma das artes mais antigas, belas e admiradas do mundo

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A extraordinária arte da fotografia, assim como a maioria das profissões, enfrenta desafios e avanços de todas as proporções na era tecnológica e sua incrível evolução. 

“A fotografia, uma das invenções que revolucionou a sociedade a partir do século XIX, era uma profissão reservada para quem tinha o ‘dom’ de captar um momento, uma história, uma lembrança, um acontecimento. 

Nas últimas três décadas, esta arte sofreu forte impacto com a chegada das câmeras digitais, celulares, smartphones e universalizou, transformando todo portador de celular em ‘fotógrafo’ e popularizando ao extremo essa invenção histórica. 

A diferença é que tanto o fotógrafo profissional como o amador evoluíram junto com a tecnologia, aproveitando tudo o que ela oferece e na prática, estão sempre ligados no momento que pode se perpetuar. Criam projetos, trabalham com registros históricos, aperfeiçoam o cotidiano, fazem catálogos, exposições, movimentos, desfiles, eventos, acervos fotográficos e tudo o que pode, em um momento, tornar-se uma foto pra sempre!

Neste Dia Mundial da Fotografia, lembrado nesta quinta-feira (19), a reportagem do Página 3 fez uma enquete com fotógrafos de Balneário Camboriú para conferir como cada um está trabalhando essas mudanças e como faz para manter esse dom de fotografar e transformá-lo em obra de arte e não em meros ‘clics’ digitais”.

Rivo Biehl

Fotógrafo há 30 anos

Os costões de Taquaras
(Arquivo Pessoal)

“Fico feliz que todo mundo esteja fotografando hoje em dia por dois motivos: porque a fotografia ficou mais popular por ter ficado mais fácil e por outro lado, é porque a boa fotografia é ainda mais valorizada. 

Então o fotógrafo do meu ponto de vista passou a ser ainda mais reconhecido e valorizado até, porque as pessoas começaram a perceber como é difícil fazer uma fotografia boa. 

Não é só pegar um celular e fazer uma foto…precisa de um pouco de cultura fotográfica, de conhecer como fotografar, de conhecer as composições e tudo mais…” 


João Ricardo Scharf

Fotógrafo desde 1984 e, sempre…

“Barcos em repouso”, foto realizada com filme e câmera panorâmica
(Arquivo Pessoal)

Sou de uma família de fotógrafos, meu avô paterno, Aron Scharf, aprendeu o “ofício” de fotógrafo nos idos dos anos 1940, na época do magnésio (flash de pólvora) retratando as famílias em dias especiais como casamentos, entre outros. 

Ele ensinou seus filhos, dentre eles meu pai, João Gaspar Scharf que, além de fotos sociais, retratou a cidade de Balneário Camboriú e arredores nos anos 1970, 1980 e 1990, compondo um rico acervo de fotos aéreas e cartões postais que ainda hoje chamam atenção pela composição, técnica e bom gosto.

Eu cresci neste meio, e obviamente as coisas foram acontecendo de forma natural para mim, porém exigia muita atenção e seletividade na hora do click, pois diferentemente de hoje, o filme fotográfico tinha somente 12, 24 ou 36 exposições. 

O olhar tinha que ser mais apurado, você aprendia a enxergar os detalhes e o entorno de forma fotográfica (olhar fotográfico) e, no caso de um casamento ou reportagem fotográfica, não havia muita margem para erro. O cara tinha que saber o que estava fazendo!

Tive o privilégio de vivenciar a evolução da profissão, mais precisamente das técnicas de captura da imagem, desde a fotografia em preto e branco à colorida, e finalmente a era digital. 

Para nós da escola antiga, a transição da fotografia analógica para a digital foi aos poucos, havia no início um preconceito em razão da qualidade e pela dificuldade de absorver a nova tecnologia, junto apareceram os programas de edição, muitos tiveram dificuldades para acompanhar, não bastava ser fotógrafo, novos desafios apareceram que exigiam além do dom, tinha que ser editor e bom no computador, além de novos e altos investimentos, diferente do filme onde as câmeras fotográficas duravam anos a fio, as digitais a cada seis meses vinham com mais tecnologias e qualidade e custos mais altos, inviabilizando o acesso e aos poucos foi aposentando muitos profissionais.

A arte de fotografar perdurou para mim, como disse anteriormente, venho da velha escola e isso faz toda a diferença. A câmera é uma extensão dos olhos e sentidos, enxergo formas e composições de forma natural através do visor e todo o resto vem automático na minha cabeça, não preciso olhar para o display.

A técnica, o princípio da fotografia não mudou, são os mesmos, mas a ferramenta sim. Hoje temos mais facilidade e rapidez, tornando o processo mais fácil e ágil pois já se tem de pronto o resultado e isso é bom! Sempre digo: “a técnica se aprende, mas o olhar fotográfico, a sensibilidade apurada, bom gosto na composição, isso se adquire com tempo e dedicação” e a era digital tornou isso mais prazeroso e rápido o aprendizado.

Sinto gratidão por esta profissão que além de proporcionar o sustento, proporcionou bons relacionamentos e amigos, encontrar os filhos dos casais que tive a honra de registrar a união, naquelas imagens, ali estou eu com meu olhar e de tantos outros fotógrafos que registraram, eternizaram uma fração do tempo em um Click. Eventos, paisagens, pessoas, natureza, cidades, tudo!”


Ricardo Gallarza

Professor da área de fotografia há 22 anos, coordenador do Curso Superior de Tecnologia em Fotografia e  a Pós-graduação em Fotografia, na Univali. Os dois foram curso pioneiros no Estado de SC

“Menina Kuikuro”
(credito – Arquivo Pessoal)

“Penso que cumpro, assim como vários colegas, um importante papel como educador na área da fotografia. Muito além de ensinar “dicas” fotográficas, trabalho o pensamento fotográfico, ou seja, o senso crítico em relação à fotografia e a partir da fotografia como forma de contribuição efetiva na reflexão sobre o homem e a sociedade. 

Não importa o gênero que meus alunos venham a  desenvolver como fotógrafos, o que importa é como eles, enquanto profissionais e cidadãos, serão capazes de contribuir para o desenvolvimento social. E para mim, desenvolvimento não tem no centro a lógica do lucro, mas a valorização do ser humano.

Não me preocupo se estou produzindo ou não uma obra de arte, que para mim é conceito relativo. Portanto, não faço, ele acontece quando necessário, ele se manifesta como parte da percepção que tenho do mundo”.

  • Contato: insta @fotografia_rmg, 

Flavio Fernandes

Fotógrafo há 20 anos 

A importancia da fotografia, como memoria, registro e pertencimento.
(Brasilimagens/Marcelo Fernandes)

“Tudo muda o tempo todo e busco nas mudanças as oportunidades de crescimento e amadurecimento, tanto pessoal como profissional.

Na fotografia mudaram os equipamentos, as mídias, os programas, os suportes, tudo isso facilitou a experimentação, mas o princípio ainda é o mesmo escrever com a LUZ!”


Celso Peixoto

Fotógrafo desde 1999, pós graduado em Fotografia, Cinema e Imagens Contemporâneas

“Surfista entre palmeiras”, na praia central, ano 2000, em cromo.
(Arquivo Pessoal)”

“Eu considero a fotografia em sua essência um meio de comunicação e pelo advento da redes, cada vez mas existem a bolhas na web: eu falo, fotografo para meu grupo de seguidores/curtidores.

Vi crescer muito durante a pandemia o discurso dos produtores de curso, que o diferencial para o fotógrafo se destacar teria que estudar os grandes mestres da artes, algo que acredito desde sempre, então venha a tecnologia que vier o efeito que for, é importante estar sempre atento aos mestres.

“Se sabermos de onde viemos, fica mais fácil definir um caminho. Sou funcionário concursado a 18 anos como reporter fotográfico e o que pude fazer durante a pandemia, foi justamente ajudar os artistas, quer seja produzindo material para divulgação no Espaço de Todos ou transmitindo conhecimento técnico aos feirantes de artesanato, para conseguirem fazer suas próprias fotos dos seus produtos. Mesmo com celular eles aprenderam a conseguir ótimos resultados técnicos e estéticos, desde a produção ate a melhor luz.”


Marcelo Fernandes

Fotógrafo há 19 anos

O Circo: “Um marco de transição da minha fotografia comercial para fotografia autoral”.
(Flávio Fernandes)

“A fotografia e o olhar do fotógrafo não se alteram. O que mudou foram as ferramentas e os suportes, dos quais devemos sempre estar atualizados.

Não importa com que aparato o fotógrafo registra, e sim o seu olhar, a sensibilidade, a expressão e a técnica”.


Ivan Rupp Bittencourt

Jornalista, trabalha com assessoria de imprensa pública há 20 anos, comecei em janeiro de 2001 como diretor de comunicação da prefeitura de Itajaí; atualmente é o diretor de Comunicação da prefeitura de Balneário Camboriú

“Ela”, minimalista, puro jogo de foco diante de um espelho, tem movimento também. “Ela” é minha esposa Dâmaris. Então é uma produção caseira, tratada em preto e branco, que é como mais gosto desse tipo de foto, e dei uma “estourada” na exposição, porque gosto assim nesse tipo de foto.
(Dâmaris Bittencourt)

“Sempre tive fotografia como hobbie, e também como complemento da função de assessor de imprensa, fazendo fotojornalismo. 

A melhor foto é aquela que eu vou fazer amanhã, talvez hoje. Quando você fotografa e ama o que faz você acaba vendo foto em tudo. Você fica procurando foto em qualquer cenário. 

É o famoso “olhar fotográfico”, que não é ficção, é uma coisa que de fato existe. Para fotografar o principal é esse “olhar”, e a luta é para sempre aprimorar a técnica”. 

Cada foto tem uma história, uma intenção, uma inspiração. 


Alfa Bile

Fotógrafo há 10 anos e há cinco anos vive exclusivamente da fotografia

Minha foto escolhida, para mim, representa a resiliência, a força que temos e diz que mesmo que algumas coisas não saiam como planejamos, sonhar pode!”
(Márcia Alexandra)

“Meu trabalho permaneceu igual nesse momento pandêmico, tendo em vista que as pessoas passaram a ficar mais tempo em suas casas e consequentemente deram mais atenção ao seu conforto, percebendo assim, a necessidade de decorar suas casas com obras de arte.

Os meios digitais auxiliam grandemente a se conectar com clientes, fornecedores e parceiros e assim, posso dar continuidade a reuniões, projetos etc.

Eu procuro sempre fotografar, seja o amanhecer, meio do dia, tarde ou noite. Fotografar me desestressa, me deixa feliz e faz meu dia muito mais prazeroso. Mas continuo tomando os devidos cuidados, então não fotografo perto de aglomerações, estou sempre de máscara quando preciso estar perto de outras pessoas e carrego sempre meu álcool em gel para higienizar as mãos e equipamentos”.


Dieter Klaus Bubeck

Fotógrafo por paixão, há mais de uma década

‘Entardecer’ em Balneário Camboriú, em 1 de agosto de 2021 (Huawei P30 PRO)
(Maria Bernadete Bubeck)

“Com as câmeras celulares cada vez mais avançadas me adaptei totalmente a mobgrafia, além da praticidade em usar nas viagens.

Ontem li a frase que define bem a Fotografia: Fotografar é colocar na mesma linha a cabeça, o olho e o coração (De Henri Cartier-Bresson)”.


Josiane Suelos

Fotógrafa social (ensaio, casamentos, eventos) há 11 anos

“O tempo com toda sua crueldade e falta de consideração com nossas memórias, passa como o vento passa pela areia do mar, essa foto pra mim representa o anseio de guardar todas as memórias mais vivas dentro do meu coração e naquilo que tem o poder de eternizar tudo, a fotografia.
(Nathalia Rotini)

“Acho que a principal arma do fotógrafo para se manter no mercado fotográfico, é encontrar o propósito, entender do porque eu fotografo o que fotografo.

Não é fácil se manter, mas não é impossível, alcançando pessoas que entendem a importância do registro e da memória, a fotografia se tornando mais acessível a todos, sempre haverá a diferença do profissional e daquele que tem empatia.

E enxergar a acessibilidade da fotografia como uma oportunidade para aprimorar ainda mais minha arte, técnica e propósito da minha fotografia.

Após o vírus tive muitos contras, mas também as pessoas começaram a dar mais valor ao registro profissional, aos seus casamentos, aniversários, ou ensaios de família, gestação e a todos os trabalhos que envolvem pessoas, que é o tipo de fotografia que eu faço, então, também tive muito crescimento nos últimos meses com essa conscientização de que os momentos passam muito rápido e o registro é a melhor forma de guardar essas lembranças com sua família e pessoas especiais”.

  • Contato: (47) 99661-0102

Lucas Vinicius Correia

Fotógrafo há 12 anos

“Essa imagem compõe um ensaio documental que fez parte de um processo de amadurecimento da minha fotografia. Sempre trabalhei e ainda trabalho com fotojornalismo, no entanto, sentia a necessidade de expor de maneira mais contundente a veia autoral e artística de meu trabalho e foi através das etapas de edição, curadoria e exposição em galeria desse ensaio que consegui contemplar claramente essa nova fase”.
(Patrick Rodrigues)

“A digitalização dos processos fotográficos é extremamente positiva para a fotografia, pois democratizou e facilitou o acesso aos dispositivos. 

O equipamento, no entanto, é apenas o instrumento para a manifestação do espírito criativo do fotógrafo, assim como o pincel o é para um pintor. 

Assim, essas transformações não anulam, mas ressignificam o ofício. Os novos aparelhos colaboram para novas criações, possibilitam um novo ritmo e novas possibilidades de trabalhos.



“Temos 356 fotógrafos na Plataforma de Interação Cultural”

(Lilian Martins, diretora da Fundação Cultural)

“O fotógrafo Álvaro De Azevedo Diaz, passou por Balneário Camboriú, realizando retratos à moda antiga, com uma Crown Graphic dos anos de 1956 (foto ilustrativa), para um projeto pessoal, me retratou no atelier de restauro”.

“A Plataforma de Interação Cultural (PInC) possui cadastros não só de produtores culturais de Balneário Camboriú, mas também de fora. 

São 356 fotógrafos inscritos, o que mostra Balneário Camboriú com convergência de produção cultural. 

Na linguagem da fotografia, temos profissionais de diversas áreas, fotografia como registro, como meio de expressão artística, fotografia corporativa ou que compõe relatórios técnicos, fotografia desde a analógica até a digital.

Fotografia é muito mais que reproduzir imagens. A fotografia é um suporte para muito conteúdo de memória.

O fotógrafo coloca todo o seu repertório de conhecimento sensível no enquadramento, além da técnica. Constatamos no acervo do Arquivo Histórico muito conteúdo informacional em imagens, que registram tempos históricos, hábitos, costumes, paisagens, pessoas e fatos, que temos graças à imagem no suporte de papel, traduzida pelo olhar do fotógrafo.

O Café com História é uma reunião de testemunhas da história que ajudam a identificar os conteúdos das imagens fotográficas do acervo histórico.

Sugiro uma passada no site do NEFA (Núcleo de Estudos em Fotografia e Arte) (confira)

Vale conferir um trabalho da LIC que tenho paixão, resgatando as informações da relatório aerofotogramétrico de Balneário Camboriú 1969, uma grande montagem com muita informação histórica e geográfica da cidade, tornando esse conhecimento acessível (confira)“.


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