É preciso entender que ninguém quer passar férias onde pode ficar doente

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Santa Catarina avermelhou para o covid e para o turismo

Waldemar Cezar Neto*

Se uma pessoa ou família pretende viajar de férias e tem opção de ir para uma cidade em risco potencial gravíssimo para covid-19 e outra onde este risco seja baixo ou inexistente, qual escolha o senso comum indica?

Por isso, controlar a covid-19 em Santa Catarina é vital para a economia, estamos prestes a nos habilitar a receber os turistas de todo santo verão, mas nosso comportamento trabalha contra nós e em favor de destinos concorrentes.

Até esta quarta-feira, 25, temos três regiões do Estado em risco potencial gravíssimo para covid-19 e três sob risco grave, mas hoje à tardinha isso irá se inverter, quase toda Santa Catarina, exceto três áreas, ingressarão no gravíssimo.

Escapamos, estamos no grave, mas se Balneário Camboriú e Itajaí não fizessem parte da Amfri e constituíssem uma região, também estariam no gravíssimo, devido aos péssimos números neste momento -que é dos piores para nós desde o início da pandemia.

Os terraplanistas, cloroquinistas e outros esquisitos em sua visão de ciência podem acreditar que o vírus SARS-CoV-2 não exista; que a pandemia é uma invenção da China para vender máscaras, respiradores e vacinas; que cloroquina, ivermectina e ozônio acabam com a doença, mas não podem ignorar que a maioria dos seres humanos foge do risco e veranear numa região pandêmica é risco.

Tem gente que não sabe ler e a maioria que saber ler não consegue interpretar o que leu, é a tragédia de educação brasileira, mas nem por isso canso de escrever que precisamos deixar de ser burros, adotar cuidados básicos para manter a covid-19 sob controle e podermos trabalhar e ganhar dinheiro na temporada.

Eu tenho quatro suítes sem hóspedes, meu prejuízo proporcional é igual ao de qualquer outro que conte com esse dinheirinho todo o ano, mas receio que desse jeito vou continuar sem reservas, as consultas são 25% do que foram no ano passado.

Uma amiga que tem dois hotéis -e os administra de maneira profissional-, me mostrou em seus gráficos que a decisão de compra do turista não ultrapassa 10 dias, o sujeito decide hoje para onde viajará na semana que vem e duvido que antes ele não procure se informar sobre covid no destino.

Teve uma época em que ir à praia em Balneário Camboriú era garantia de micoses e doenças gastrointestinais, aquilo ameaçava nossa futuro e graças aos esforços de vários prefeitos -e muito investimento- foi superado.

A covid é a nossa água poluída de agora, porém ao contrário do passado afastar a ameaça não depende de prefeitos ou orçamento, basta a ação individual de cada cidadão responsável.

Pensem nisso minhas nove leitoras.

* Waldemar Cezar Neto é jornalista.

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