O que tem mais valor na vida? O que realmente vale a pena cuidarmos? Será que estamos sabendo medir e diferenciar o que é importante na vida, do que é passageiro? Entre o amor e o poder de que lado ficamos?
Convido as pessoas leitoras a fazermos um teste de consciência, enquanto lemos este pequeno texto.
Primeiro precisamos nos entender sobre o significado de amor e de poder. O amor é intrínseco às nossas relações pessoais. Ao modo como nos relacionamos com as outras pessoas à nossa volta e até com a gente mesma. O poder corresponde às coisas que possuímos. A casa, o telefone, as nossas roupas, os nossos bens.
Lembram daquele velho ditado: o amor não se compra? Quem duvida provavelmente confunde amor com sexo. E, sim, o sexo pode ser uma mercadoria. Se ainda lhe resta alguma dúvida sobre o amor, sugiro assistir a um bom e velho filme, sempre atual: A Felicidade não se Compra.
Parece fácil, bastante óbvio, fazer a escolha certa entre uma pessoa que amamos e uma coisa qualquer. Então responda sinceramente: você costuma deixar seu smartphone sobre a mesa, enquanto vai ao banheiro, num restaurante? Dirigiria até a cidade vizinha com algumas taças de cristal soltas no banco de trás?
Quanto custa repor uma taça de cristal quebrada? Quantos dinheiros precisamos gastar para comprar um telefone roubado? Sim, nós aprendemos a cuidar dos nossos bens materiais. Sabemos a medida deles dentro das nossas finanças.
Mas quanto às pessoas que amamos: será que estamos sabendo cuidar delas? Filhos nem todo mundo tem, então comecemos por medir como cuidamos do próprio corpo. Uma pessoa que dirige alcoolizada, que sente prazer em colocar a vida em risco, será que sabe cuidar de si mesma, tão bem quanto cuida das coisas que considera importantes?
E quem tem uma criança em casa e a leva para escola, solta no banco de trás do carro, será que valoriza a vida tanto quanto preza pela segurança do seu smartphone? Quem é responsável por um adolescente e lhe permite equilibrar-se sobre uma máquina elétrica de duas rodas em meio ao caos do trânsito, será que cuida da vida deste jovem, com a mesma delicadeza que segura seus cristais?
Encerrando o assunto, lembrei que, de onde eu venho, se diz que durante uma enchente o que vale a pena salvar é a vida, tudo o mais se pode reconstruir quando o sol voltar.
Tomar consciência é o mais amargo dos remédios, nos priva da liberdade do prazer sem compromisso e nos obriga a amar, acima de todas as coisas que a ignorância festiva cultua.
Agora é com você, entre seus amores e poderes…
Claudemir Casarin é psicólogo socionomista e reside em Balneário Camboriú