Escolas particulares estão retornando: medida do MP autoriza aulas independente do grau de contágio

Relacionadas

As aulas presenciais nas escolas particulares de Balneário Camboriú estão retornando, mesmo com a volta da região para a faixa laranja (grau Grave de contágio de Covid-19), através de uma medida assinada pelo juiz Jefferson Zanini [da 2ª Vara da Fazenda da Comarca de Florianópolis], no último dia 22, encaminhada pelo Sindicato das Escolas Particulares de Santa Catarina (SINEPE/SC).

Em Balneário, 37 unidades privadas têm autorização de retorno aprovada junto ao Comitê Municipal de Gerenciamento da Pandemia de Covid-19, mas nem todas elas já retomaram às atividades presenciais.

As públicas devem retornar no próximo dia 18, mas somente se a cidade estiver na faixa amarela (risco Alto para a transmissão do vírus), conforme regra do decreto estadual acerca do tema.

37 aprovadas pelo Comitê Municipal

A presidente do Comitê Municipal de Gerenciamento da Pandemia de Covid-19 de Balneário Camboriú, Nilzete Teixeira, que é assessora da Secretaria de Educação de Balneário Camboriú, disse que ao todo são 83 unidades – contando com as públicas (municipais e estaduais) mas até o momento 37 particulares aprovaram os seus Planos de Contingência Municipal para a Educação (Plancons).

“No entendimento da Justiça, ficam autorizadas as atividades presenciais nas escolas privadas. Já autorizamos a retomada de 37 em Balneário, aprovando seus Plancons. O trabalho do Comitê vem sendo frequente, cada Plancon tem em média 80 páginas”, conta.

Quem já voltou

Não há uma lista oficial das escolas que já retornaram, mas o Página 3 conseguiu apurar junto de algumas mães que as aulas retornaram no Unificado (em forma de reforço individual), Unificado School, Construindo o Saber, COC, Salesiano, Raízes, Anglo e Paraíso Infantil Baby. O Margirus deve retornar no próximo dia 3, o Quintal Mágico está se preparando para a retomada e o Liceu Catarinense optou por não voltar neste momento.

Escolas livres de ‘sinais de cores’

A diretora do Quintal Mágico, Melania Horst, analisa que em seu entendimento, a tendência é as escolas ficarem ‘livres’ destes ‘sinais de cores’ (faixa laranja e amarela, por exemplo) e respeitarem as exigências sanitárias às quais foram submetidas internamente (com a aprovação dos Plancons, por exemplo), e que ‘é assim que vem acontecendo no mundo’, citando que no início da pandemia não havia pesquisa sobre o assunto, mas que hoje já existem e apontam que o número de casos é ínfimo em crianças que estão frequentando escolas.

“Inclusive a liminar expedida, que nos permite trabalhar, salienta este fato. E as escolas que cumprem com os planos de contingência e que foram liberadas podem de forma adequada trabalhar! Vivemos numa cidade de turismo e se ficarmos restritos a estes critérios anteriores impostos, não teremos condições de retornar, pois tudo está liberado, e fica óbvio que o número de infectados aumenta, mas também há prevenções e tratamentos adequados, o que nos leva crer que teremos que aprender a lidar com tudo isto! Uma nova realidade a todos!”, opina.

Mãe opina: “Experiência de aulas online foi péssima”

A moradora de Balneário, Denise Costa, tem uma filha de 16 anos que estuda no 2º ano do Ensino Médio, no COC – onde as aulas retornaram nesta quinta-feira (29), com horário normal (das 7h30 às 12h20 e, a princípio, de segunda a sexta-feira), porém professores do grupo de risco continuam online e os alunos assistem as aulas da escola.

“São 40 alunos na sala dela, e foram 16 hoje. Achei ótimo. Estou feliz com a retomada das aulas, esse confinamento foi traumatizante, o estresse foi tanto para minha filha como para nós pais, não sei de onde tiram a ideia que aulas online é igual aula presencial. Aqui em casa foi péssimo, minha filha é estudiosa, sempre teve notas excelentes, mas por inúmeras vezes ela estava deitada, ou dormindo com aula rodando. Não teve o mesmo aproveitamento que presencial”, diz.

Segundo Denise, a filha sentiu muita falta dos colegas, e em dia de prova era ‘um tormento’, já que aconteceu até mesmo da internet cair.

“A experiência foi péssima. Jovens precisam de outros jovens para convivência. Jamais pensei que nossa filha iria precisar tomar remédio para ansiedade, e precisou nesse confinamento. O que mais me revolta é que tudo voltou ao normal, academia, shopping, praia, o que é certo, o que não é certo é a escola ser a única a não voltar. Educação tratada em último plano. Nossos governantes em nada ajudaram, colocaram mil obstáculos para as aulas não voltarem”, opina, citando que acha injusto também as escolares particulares voltarem e as da rede pública não.

“Infelizmente os alunos dessas escolas não terão a mesma oportunidade que a minha filha está tendo, é a prova do descaso com a educação. Esse acordo entre os 11 prefeitos [da Amfri, que decidiram juntos que as escolas municipais não retornariam neste ano] foi mais uma prova de que estão se lixando para a educação”, completa.

Retomada das escolas públicas pode acontecer dia 18

A expectativa é de que as atividades escolares presenciais reiniciem dia 18 de novembro na rede pública – incluindo escolas municipais e estaduais. Porém, será algo optativo e só acontecerá se a cidade retornar para a faixa Amarela do contágio da doença.

A secretária de Educação, Rosângela Percegona Borba, destacou um dos requisitos para retomada é de que as plataformas online permaneçam ativas.

“Se em 18 de novembro estivermos na faixa Laranja, realmente não vamos poder abrir as escolas. A gente só pode abrir com a faixa amarela, isso faz parte do nosso Plano de Contingência, é o nosso critério mais decisório. Conforme as portarias do Estado, nesse primeiro momento retornam somente os últimos anos da Educação Infantil, do Ensino Fundamental e do Ensino Médio, será gradativo e escalonado”, explicou.

Mais notícias dessa editoria

Advertisment

Leia também