Fórum de Segurança destacou a importância da integração, a preocupação com os moradores de rua e o ‘prende-e-solta’

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“O ‘prende e solta’ é uma situação constrangedora. Com mais de 600 prisões feitas pela Guarda Municipal menos de 50 ficando presos…a responsabilidade é do Governo de Santa Catarina, que até agora não se posicionou sobre isso”, disse o prefeito Fabrício Oliveira na 19ª edição do Fórum de Segurança, que aconteceu na noite de quinta-feira (12), na Câmara de Vereadores, de forma presencial e online.

Esta situação foi relatada pelo próprio secretário de Segurança Antonio Gabriel Castanheira Junior, que não participou do Fórum, mas mostrou indignação com o problema, na tribuna do Legislativo, na terça-feira(10).

O Fórum organizado pelo Conselho Comunitário de Segurança (ConsegBC), reuniu as polícias Militar e Civil de forma presencial e o Corpo de Bombeiros virtualmente. O que chamou a atenção foi que a Secretaria Municipal de Segurança não participou, nem a Guarda Municipal.

A reportagem do Página 3 acompanhou o Fórum na Câmara, onde foram questionados e abordados diversos assuntos, em especial os moradores em situação de rua, hoje uma grande preocupação porque entre eles circulam muitos foragidos da justiça.

Fabrício Oliveira, prefeito de Balneário Camboriú, abriu o evento, participando de forma online

Prefeito participou de forma remota

“É muito importante a realização do Fórum para meditarmos sobre os números [de ocorrências] e nossas responsabilidades. Balneário Camboriú faz muito mais do que deveria, mas fazemos porque é certo, pode ser de competência do Estado segundo a Constituição Federal, mas não vamos deixar de investir em nossas forças da segurança por esse motivo, é algo primordial para a cidade e seus moradores.

Balneário Camboriú é diferenciada, mas é preciso mais investimento em tecnologia para a segurança e também melhoria no efetivo das polícias.
A Guarda Municipal tem o maior efetivo de Santa Catarina. Também trabalhamos na situação dos moradores de rua, que possui ligação com a segurança. Temos um dos serviços mais completos nesse sentido, que atua 24h todos os dias oferecendo abrigo, trabalho, reabilitação e passagem rodoviária.

Porém, o ‘prende e solta’ é uma situação constrangedora, com as mais de 600 prisões feitas pela Guarda e menos de 50 ficando presos e a responsabilidade é do Governo de SC, que até agora não se posicionou sobre isso. Estamos fazendo diversas ações de enfrentamento, e a comunidade pode contar com o governo municipal e as forças de segurança porque estamos trabalhando”.

Valdir de Andrade, advogado e presidente do Conselho Comunitário de Segurança de Balneário Camboriú – CONSEGBC, entidade que organiza o Fórum de Segurança da cidade

O presidente do ConsegBC, Valdir Andrade

“Chegamos na 19ª edição e lamentavelmente não contamos com a participação do secretário de Segurança, Antônio Gabriel Castanheira Junior, mas entendo a não presença dele, que em uma rádio da cidade se mostrou descrente quanto ao Fórum. É triste, porque o município era o que mais falava no evento, com 70min disponíveis. Eu avisava que após a pandemia seria complexo quanto a situação de furtos na cidade, mas é leviano colocar furto, roubo e estelionato em comparativo, porque são crimes diferentes.

As pessoas moram e investem em Balneário Camboriú pela segurança pública. A PM e a Guarda Municipal estão prendendo, mas tem algo acontecendo porque essas pessoas não ficam presas, a legislação é fraca em alguns pontos.

Por que um cidadão com 60 passagens policiais não está na Canhanduba?

Gostaria de entender por que esse prende e solta acontece, é como enxugar gelo.

Temos que investir em tecnologia, e a harmonia das forças de segurança precisa ser destacada, o caminho é o trabalho em conjunto, a integração, bem como alguns pontos – a sede do IGP, a Central de Segurança e a sede da Secretaria de Segurança, precisamos resolver todas essas questões”.

Tenente-Coronel Daniel Nunes da Silva, comandante da Polícia Militar de Balneário Camboriú

Comandante Daniel

“O Dr. Valdir de Andrade é um grande incentivador das forças da segurança e da harmonia entre nós.

A Polícia Civil vem realizando um trabalho incansável em nossa cidade, parabenizo isso. A comunidade jamais verá um PM descrente da legislação e cabisbaixo, trabalhamos para que eles sejam valorizados e acreditem no trabalho que realizam.

Um dos eixos que trabalhamos é o treinamento, aquisição de equipamentos e investimento em relacionamento harmonioso entre a tropa.

Somente em 2021 realizamos 522 prisões, e abraço a Guarda Municipal nesse sentido, que faz um excelente trabalho. Queremos fortalecer as redes de prevenção (Rede de Vizinhos, Rede de Proteção à Mulher, Rede de Segurança Comercial e Rede de Segurança Escolar) e ainda nos aproximar mais dos condôminos, incentivando que eles nos ajudem com a segurança, com preocupações mínimas, como o cuidado de esperar o portão da garagem fechar por completo e assim impedir que furtos aconteçam”.

Giancarlo Rossini, Delegado Regional de Balneário Camboriú

Delegado Giancarlo

“Recentemente foram divulgadas notícias que macularam a imagem de Balneário Camboriú, uma cidade que vive de turismo. Uma repórter da NSC me procurou para falar sobre a cidade ser a com mais ocorrências em SC, questionei a ela como teria chegado nessa conclusão, porque na realidade só os estelionatos aumentaram e que seria uma inverdade nos colocar dessa forma, mas mesmo assim a matéria foi veiculada.

O que torna uma cidade insegura são roubos e furtos, e estes diminuíram.

Os estelionatos normalmente os bandidos nem são do município, atacam de outras cidades.

Balneário também não tem número expressivo de homicídios, por isso não pode ser considerada tão violenta como abordaram.

Somos a segunda cidade do Estado a registrar mais ocorrências, o que é mérito da Guarda Municipal e da Polícia Militar.

Há harmonia entre os poderes, realizamos operações em conjunto.

A Polícia Civil precisa de um reforço no seu efetivo, nesse ano sete policiais saíram, cinco se aposentaram e dois (da Divisão de Investigação Criminal – DIC) passaram em um concurso e foram para Florianópolis. Normalmente a DIC atua com 10 agentes e nós só temos cinco. Vim aqui para isso: desmentir dados estatísticos divulgados de forma equivocada e pedir que nos apoiem a conseguirmos incrementar nosso efetivo”.

Tenente-Coronel BM José Ananias Carneiro, comandante do Corpo de Bombeiros de Balneário Camboriú

Tenente José Ananias

“Balneário é uma cidade privilegiada, mas temos demandas atípicas. Neste ano tivemos 410 incêndios, em edifícios e veiculares, além de busca e resgate, APH (Atendimento pré-hospitalar), e as ocorrências nas praias.

Sobre as praias, até novembro teremos instaladas câmeras em todas as praias de Balneário Camboriú, que são programadas para focar nas correntes de retorno, assim evitando óbitos. Queremos também acesso às câmeras da Guarda Municipal, da Barra Sul, que acredito que podem nos ajudar, e as nossas câmeras também estão à disposição das demais forças da segurança.

Temos uma demanda que é a situação do assoreamento do Pontal Norte, que também é algo que os pescadores citam.

Em dia de maré baixa fica difícil sair e entrar com as embarcações. Acreditamos que teremos muito movimento no verão e por isso precisamos de mais 20 bombeiros para nos ajudar a realizar os atendimentos.

Outro ponto que precisamos de apoio é que gostaríamos que a empresa responsável pelo alargamento da faixa de areia faça um plano de segurança para isolar as áreas de onde vão puxar a areia porque, com base no alargamento de Canavieiras, sabemos que forma um ‘redemoinho’ no mar, e pode acabar causando algum acidente com banhistas.

Também não sabemos ainda como será com o alargamento por conta da distância maior que os postos de guarda-vidas terão do mar, e também acreditamos que as correntes marítimas vão mudar”.

Vereadores questionaram

Alguns vereadores participaram da sessão, mas foram embora antes de se pronunciarem, como Marcelo Achutti, que reclamou da ausência do secretário Castanheira. Abaixo, os que opinaram sobre o Fórum enquanto a reportagem do Página 3 estava na Câmara.

Arlindo Cruz – “A minha casa foi furtada duas vezes nas últimas semanas, precisamos de mais segurança no Bairro dos Estados, teve recentemente também o assalto na joalheria do Balneário Shopping. A comunidade me pede por mais câmeras e sugiro também barreiras nas entradas e saídas da cidade”.

Patrick

Patrick Machado – “O Instituto Geral de Perícias (IGP) tem verba e só precisa do terreno, que é da prefeitura, para construir a sua sede. Por que não cedemos para eles? Hoje eles pagam R$ 15 mil de aluguel por mês. Essa briga de ego não pode acontecer. Precisamos investir em tecnologia também. Me preocupo com a situação citada pelos bombeiros, com a distância maior que terão entre o posto e o mar, de 25m para 70m com o alargamento.

Acredito que vamos precisar de mais guarda-vidas também. Era importante a participação do secretário Castanheira, que pena que ele não compareceu”.

Teco

Alessandro Kuehne (Teco) – “Ocorreram algumas situações preocupantes recentemente, como a tentativa de homicídio na Terceira Avenida, mas há pontos positivos, como a redução de 721 casos de homicídio em SC neste ano.

Balneário Camboriú é a quarta melhor cidade para se viver no Brasil, com o quarto melhor IDH do país. Acredito que com ações em conjunto de todos os órgãos, com a união do município, vamos conseguir diminuir esses casos que têm nos incomodado”.

Assembléia Legislativa representada

Mauricio José Eskudlark, deputado estadual – “Fico feliz porque participei da instalação da maioria dos Consegs existentes hoje em Balneário Camboriú. Vou ver a questão dos policiais civis para Balneário, hoje estão na academia 270, 170 se formam agora em setembro, 80 em outubro e 20 em janeiro/2022, queremos fazer uma distribuição justa e que atenda todas as regiões de SC, há também 323 agentes que podem ser chamados e 113 escrivães, mas não sabemos se todos estão ativos, porque o concurso é de 2007.

Tenho um projeto em andamento que propõe a criação de um cadastro de moradores de rua, que será coordenado pelo Estado, para termos controle de quem são, de onde vieram e se querem ajuda. Assim saberemos quem são essas pessoas, se já receberam algum tipo de apoio. O projeto está com vista porque a Promotoria pediu para acrescentar emendas, acredito que nos próximos dias já conseguiremos encaminhar”.

Resgate Social presente

Roberto Pereira, diretor do Resgate Social de Balneário Camboriú

Roberto do Resgate Social

“O maior problema de micro segurança é a situação dos moradores de rua. Nós já abordamos dois mil moradores de rua em Balneário Camboriú nesse ano, 1.200 eram ‘inéditos’ e 45% são de outros estados. Muitos conseguem ganhar de R$ 100 a R$ 350 por dia com esmola na cidade, ou seja, a responsabilidade dessa situação também é da comunidade. De 10 abordados, só três aceitam ajuda.

Neste ano, já distribuímos 750 passagens rodoviárias, fizemos 280 internações, que demandam verba pública e é muito dinheiro.

Atualmente, há de 80 a 120 pessoas morando nas ruas da cidade, e a visibilidade é grande porque Balneário é pequena, com pontos de ‘aglomeração’ dessas pessoas. Damos marmita, mas eles dizem que recebem camarão com batata na Avenida Atlântica, por isso também estamos buscando conscientizar os comerciantes.

Há diferença entre morador de rua e pessoa em situação de rua, que é quem perdeu tudo e precisa de ajuda, essa pessoa normalmente quer uma chance para recomeçar, já o morador quer estar na rua.

Posso dizer que de cada 10 ladrões de nossa cidade, oito são moradores de rua.

Há o direito de ir e vir, mas há situações que não podemos conceber e por isso estamos trabalhando com internações em clínicas de reabilitação de forma compulsória, conversando com as famílias. Vou falar sobre isso na próxima semana, quando virei à Câmara”.

Fiscalização de Obras

Artur Gayer, Diretor de Fiscalização e Obras

Artur Gayer da Fiscalização

“A Fiscalização está trabalhando de forma integrada com o Resgate Social e demais forças de segurança no que diz respeito a fiscalizar as empresas de reciclagem.

Acredito que somente 2% deles fazem o trabalho legal, o resto tem envolvimento com tráfico de drogas, aceitam produtos de origem duvidosa. São 34 empresas desse tipo em Balneário hoje, e só oito são legalizadas.

As operações que estamos fazendo têm dado resultado bom, mas digo que precisam ser frequentes.

Precisamos trazer a ordem para Balneário Camboriú”.

Meio Ambiente presente

Maria Heloísa Lenzi, secretária do Meio Ambiente de Balneário Camboriú – “Precisamos focar o nosso olhar para quem precisa de apoio [pessoas em situação de rua] e quem está mascarado [moradores de rua] e se aproveitam dessa vida.

Algumas ações do Meio Ambiente acabam sendo benéficas para a Segurança, como o aplicativo que vamos lançar em breve para avisar a comunidade quando o caminhão de lixo vai passar porque assim a pessoa leva o lixo somente nessa hora e não fica na frente de casa ou do prédio. Sabemos que há catadores corretos, que trabalham de forma legalizada, mas há muitos moradores de rua que se aproveitam dessa profissão para lucrar e usam como fonte para permanecerem na rua”.

Texto e Fotos: Renata Rutes

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