“Não estou aqui para ficar fazendo foto e dizer que está tudo bonito”, disse secretário Castanheira aos vereadores

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O secretário de Segurança de Balneário Camboriú, Antônio Gabriel Castanheira, esteve na noite de terça-feira (10) na sessão da Câmara de Vereadores, atendendo convocação do vereador Marcelo Achutti, feita em junho, após a ocorrência na Casa do Rap, no Bairro da Barra. Ele aproveitou a ocasião para apresentar números de ocorrências atendidas e respondeu questionamentos.

Caso da Casa do Rap  

Sobre a situação envolvendo a Casa do Rap, ocorrida em junho (relembre aqui), o secretário Castanheira disse que o caso está sendo investigado pela Corregedoria da Guarda Municipal e que o processo está em andamento, dentro do prazo [tem até seis meses para ser finalizado, ou seja, até dezembro]. O Ministério Público também está acompanhando o processo, segundo Antônio Gabriel. 

“Nós não podemos esquecer que nós somos membros do poder público e temos que agir com legalidade, não podemos ser levianos. Eu não posso mandar ninguém embora ao meu bel prazer, temos que respeitar o devido processo legal, que está andando nos prazos. Está tudo em dia. Testemunhas foram ouvidas e o procedimento está em andamento. Nós não apoiamos aquele tipo de conduta, nós temos cursos na Guarda onde procuramos mostrar a maneira certa de trabalhar. Alguns incidentes vão acontecer, as forças da segurança têm as suas Corregedorias para apurar. 

Mais de 20,7 mil ocorrências 

O secretário aproveitou para falar sobre o trabalho que a Guarda Municipal vem desenvolvendo, como as 20.763 ocorrências atendidas de janeiro até 7 de agosto (sábado) e que dentro desse número houve ‘poucos casos de excessos’ e que todos estão sendo investigados. 

“Realizamos 428 operações em seis meses, se vocês dividirem por número de dias nós temos muitas operações. Essas 428 são exclusivas da Guarda, não são em conjunto com outras forças de segurança, não computamos essas operações. Prendemos 110 foragidos, que é um dos números mais importantes porque mostra a efetividade da nossa Guarda. 110 pessoas capturadas na cidade, 110 pessoas que estavam andando livremente pela cidade e que eram foragidas da Justiça. Ninguém aparece na frente de uma viatura e pede para ser encaminhado, para que se dê cumprimento ao seu mandado em aberto. Esses números mostram que a Guarda está na rua”, destacou. 

Furtos, roubos e estelionatos 

Divulgação/GMBC

Recentemente Balneário Camboriú foi noticiada como líder em números de furtos, roubos e estelionatos entre as grandes cidades catarinenses (relembre aqui). Castanheira confirmou, mas mostrou um quadro (foto) que mostra que os números diminuíram no caso de furto (2.144 – 2019; 2.148 – 2020; e 2.125 – 2021) e roubo (281 – 2019; 262 – 2020 e 203 – 2021). Porém, o número de estelionatos aumentou muito: 440 em 2019, 606 em 2020 e 1.194 em 2021 (números de 01/01 a 30/06). 

“O estelionato é um crime típico da Polícia Civil, são eles que tem que investigar, principalmente porque o levantamento feito foi que 83% dos estelionatos são praticados por telefone, são aqueles que você liga e faz esses golpes. Não tem como a Guarda influenciar nesses números, nós até prendemos alguns estelionatários na rua, aqueles que aplicam o golpe do bilhete, dentre outras situações nesse sentido. Acreditamos que a pandemia tenha estimulado esse tipo de golpe [por telefone], com muita gente migrando do roubo para esse tipo de golpe que favorece, porque você mantém uma certa distância da vítima, é difícil reconhecimento e de solucionar”, afirmou. 

604 presos, mas somente 42 permaneceram detidos 

Castanheira também citou que a Guarda Municipal encaminhou 604 pessoas à delegacia, porém, de todas essas prisões, apenas 42 pessoas permaneceram presas. 

“Esse é um número preocupante, nós temos pessoas com mais de 60 passagens pela polícia que andam livremente pelo município, essas pessoas estão mapeadas pela nossa Inteligência, mas não permanecem presas”, disse. 

Essa questão compete à Polícia Civil e ao Judiciário, e já foi abordada por Castanheira diversas outras vezes em entrevistas concedidas ao Jornal Página 3. 

Questionamentos dos vereadores 

Diversos vereadores questionaram Castanheira, principalmente acerca do número de guardas municipais que atuam na cidade, como número de viaturas em serviço [escala de 12h/7 a 8 viaturas rodando pela cidade, fora as motos] e também sobre o novo Estatuto que pretende prover melhorias à Guarda Municipal no que diz respeito ao plano de carreira [está tramitando junto à Secretaria de Articulação e deve ser encaminhado para a Câmara em breve].  

O vereador que convocou Castanheira, Marcelo Achutti, salientou o quanto a comunidade está ‘clamando por segurança’ e que muitos moradores o indagam sobre a necessidade de melhorar nesse quesito. 

Sobre a Casa do Rap, Achutti pontuou que o tapa que a mulher recebeu ‘comoveu o Brasil’ e que a presença de Castanheira foi solicitada para que prestasse esclarecimentos à sociedade de Balneário Camboriú. 

“Quem não quer ser criticado, que abandone a vida pública! Nós, sim, fomos eleitos não para ver a cara feia de alguns porque convocamos ou não, viemos para dar respostas à sociedade, que está na rua clamando por segurança”, afirmou. 

Falta de harmonia entre poderes 

A suposta falta de harmonia entre as forças de segurança também foi questionada por alguns vereadores. Há comentários sobre problemas entre a Guarda Municipal e as polícias Militar e Civil. Castanheira disse que trabalha para a comunidade de Balneário Camboriú e não para ‘poder nenhum’. 

“Se eu tiver que criticar um poder que não está fazendo o seu trabalho e está prejudicando o meu, eu vou fazer. Eu não tenho medo de fazer e vou fazer! Não tenho medo que entre na minha casa de madrugada, ninguém vai entrar na minha casa para cumprir mandado de busca e apreensão, então eu falo sim e exijo sim que esses funcionários públicos de outros poderes cumpram as suas obrigações; quando eu tenho um Judiciário que minimiza um furto de bicicleta, eu tenho um número elevado e que não depende de mim e da Guarda Municipal, que está fazendo um excelente trabalho na rua. O meu trabalho e o da instituição que eu defendo hoje, acaba na porta da delegacia. Se um delegado de polícia não vai tipificar o crime de acordo com o que ele é, é uma atribuição dele, mas as consequências são graves!”, afirmou. 

“Em virtude de uma ‘harmonia’ vou deixar de falar essas coisas?” 

O secretário contou também sobre um traficante que o abordou oferecendo drogas, na Avenida Atlântica, quando ele estava em uma operação da Guarda, sem saber que ele era secretário de Segurança do município. 

“Efetuei a prisão e encaminhei para a delegacia, chegando na delegacia, o agente olhou para mim e falou ‘de novo esse cara?’ e eu perguntei ‘mas de novo como?’Ele respondeu ‘não, ontem ele ‘caiu aqui’ (foi preso) com a ROCAM (Rondas com Motocicletas) da Polícia Militar com 60 pedras de crack’. Eu perguntei ‘então como é que ele está na rua?’, ‘não, foi feito posse [de drogas]’. 60 pedras de crack foi feito posse? E aí, em virtude de uma ‘harmonia’ eu vou deixar de falar essas coisas? Não vou deixar! Se querem harmonia, que procurem outro secretário de Segurança. Eu vou bater no que for errado e vou defender o certo!”, acrescentou. 

Criticar e ser criticado

Castanheira comentou ainda ‘não ter problema nenhum’ em ser criticado, como também não tem em criticar. 

“Se eu precisar fazer isso, eu vou fazer. Eu não estou aqui para ficar fazendo foto e dizendo que está tudo bonito e está tudo bem, enquanto eu estou vendo um monte de coisa errada, enquanto eu sou cobrado na rádio às 6h da manhã sobre um monte de maconheiro na rua. Alguém aqui já leu a Lei de Drogas? Maconheiro fica preso? Usuário fica preso? Então como é que vocês me cobram o maconheiro na praia? O governo federal não disse que usuário é doente? Qual é o programa que o governo federal tem para doente? Não tem nenhum e eu tenho que fazer milagre!”, completou.

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