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Caroline Cezar

No início da pandemia era comum fazer previsões para “quando as coisas voltarem ao normal” ou “quando a pandemia acabar”. Os mais resistentes a mudanças ficavam contando os dias para “isso passar e tudo voltar como era antes”. Hoje, com mais de dois meses de restrições sociais e os efeitos do vírus ainda em expansão -especialistas afirmam que ainda não chegamos ao ápice- muitas pessoas já se adaptaram e as necessidades foram se transformando.

O forte pilar de todas essas mudanças é a internet, que possibilita que as pessoas estudem, trabalhem, se exercitem, se encontrem e façam arte ligados pela rede virtual. Essa não é uma novidade, mas algo que estava aparentemente sendo pouco utilizado pelo hábito do encontro presencial, apesar de todas as desvantagens que isso acarreta – o tempo perdido no trânsito por exemplo, com milhões de pessoas se movendo nas ruas no mesmo horário para chegar aos seus locais físicos de estudo, trabalho, lazer.

Parece que sem o deslocamento físico é possível ganhar tempo e presença, que pode ser distribuída para outras áreas da vida: cuidado pessoal, família, casa como lar (e não mero local de passagem). O “fazer em casa” ganha espaço, a presenciar pelos “pães nossos de cada dia” compartilhados nas redes por muitas pessoas que descobriram algo que agrega um valor único ao alimento: prepará-lo. A webdesigner Fabiane Diniz, que optou pelo home office há muitos anos utilizou o tempo extra em casa -já que não está frequentando cafés, restaurantes e qualquer balcão gourmet da ilha de Florianópolis- para especializar-se na arte do panifício: a novidade foi desenvolver seu próprio fermento, a partir do suco do abacaxi e utilizar a fermentação natural, que confere um sabor único aos preparos: pães, pizzas, tranças e outras experimentações que ela exibe aos amigos pelas fotos de celular: “não deixa de ser uma maneira de compartilhar a experiência”.

O “fazer em casa” aumenta o valor afetivo e faz com que valorizemos quem está em volta produzindo. Parece que a menor escala, e o artesanal, com a busca por ingredientes selecionados, vem se sobressaindo aos industrializados e processados. É parte indissociável do “novo normal”. Rede de vizinhos, comprar de quem está próximo, grupos de classificados do bairro e assim por diante.

Completamente adaptado à rotina, o professor de biologia Denis Kerber, diz que podia viver o resto da vida assim. Já tinha o hábito de ficar bastante em casa, é marceneiro autodidata e pai de quatro filhos, o que dá bastante trabalho no cotidiano. Ganhar o tempo que usava no deslocamento (ir até as outras cidades lecionar) fez com que ele aprovasse as aulas à distância, continua com bom acesso aos alunos, faz plantões para esclarecer as dúvidas e criou até um perfil de instagram (@prof_denisbio) para compartilhar sobre a biologia no dia a dia: mora numa praia agreste, onde ainda habitam muitos animais silvestres, insetos de todo tipo e plantas diversas.

O instagram @prof_denisbio criado recentemente: cotidiano do professor como ponte com os alunos.

Parece que não voltaremos ao que era antes, e já estamos praticando um “novo normal”. A ONU já lançou um documento que cria as diretrizes para este momento: mais responsabilidade, solidariedade, proteção de empregos, empresas e meios de subsistência.

A pesquisa realizada pelo time do site de roleta online Betway Cassino mostra através de infográficos como anda o comportamento que comprovam essas mudanças de rotina e que indicam que estamos numa pandemia, em casa, mas a quarentena já acabou: estamos formatando uma nova forma de viver em sociedade.