Os anos dourados na Barra Sul

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Em 1991, quando o Página 3 começou a circular em Balneário Camboriú, uma semana depois que o município comemorou 27 anos de emancipação política, a Barra Sul e suas diversas atrações continuavam no auge. 

A vida noturna na Barra Sul, especialmente o Rancho do Baturité e tudo o que girava em torno dele, era ‘o’ programa dos jovens da praia e atraía turistas de todos os cantos, além claro, dos moradores da praia. 

Gente famosa circulou por aqueles lados e dois personagens, visionários, deixaram sua marca cravada naquele canto mais badalado da praia: Dimas Campos e Júlio Tedesco, ambos falecidos, mas que ligaram seus nomes à Barra Sul pra sempre!

O primeiro era um pianista, filho de Baturité Campos, dono de uma boate na avenida Brasil, chamada Praia Club…ele tocava piano com sua banda de jazz e tempos depois levou a atração para o Pontal, como era chamada a ponta sul da praia naquela época. Lá ele ficou ainda mais conhecido…e recebia convidados famosos frequentemente que costumava levar para passear de barco.

Dimas Campos no quadro Memórias, na capa do Página3 em 8 de julho de 1995. (Desenho em foto de Zenóbio Tomio)
Júlio Tedesco batizou o Pontal com o nome de Barra Sul (Divulgação/CVBC)

O segundo, o empresário Júlio Tedesco, já herdou do pai a paixão pelo Pontal ou Pontal Sul, lugar que escolheu para instalar grandes investimentos que transformaram o turismo na praia e contribuíram para o desenvolvimento de Balneário Camboriú. Foi ele, Júlio Tedesco, quem batizou o Pontal de Barra Sul.

Nesta reportagem ouvimos alguns relatos e lembranças de pessoas que ‘viveram’ esta época do ‘auge’ na Barra Sul e todos, sem exceção, tem uma opinião em comum: foi uma época ‘dourada’ que deixou muita saudade. Acompanhe:

“A Barra Sul deu origem ao turismo de Balneário que conhecemos hoje”

(Arquivo Pessoal)

Vilmar Machiavelli (Cri)

“Me mudei para Balneário Camboriú em 1976 e há 45 anos acompanho tudo o que acontece na Barra Sul, bairro que sempre foi sede do Grupo Tedesco.

Na década de 70, a região inaugurou muitas atrações: o Camping, o Rancho do Baturité, o restaurante O Pharol, o Migulão, os barzinhos, o restaurante Linhares e a boate do Baturité. Foram os primeiros pontos turísticos de Balneário Camboriú além das praias e todos se concentravam ali, na Barra Sul.

Nos anos 80, o Grupo Tedesco construiu um imóvel para sediar uma pista de patinação no gelo, um modismo da época devido à novela Dancing Days e o local fez muito sucesso. Depois, o mesmo edifício foi reformado e adequado para receber o Shopping de Verão, um verdadeiro marco para o município. Era o primeiro Shopping da praia e contava com 64 lojas, uma parada obrigatória aos visitantes da cidade.

Outro grande sucesso na Barra Sul foi o Boliche Holyday, uma atração extremamente moderna para a época e estava sempre muito movimentada.

Neste mesmo período, durante uma viagem ao Espírito Santo, o sr. Júlio Tedesco observou durante seu passeio que alguns veículos caracterizados transportavam turistas pela cidade. Ao retornar para Balneário Camboriú, ele veio decidido a transformar algumas caminhonetes em veículos divertidos, para que o visitante de Balneário Camboriú pudesse realizar o passeio pela orla de maneira agradável e singular. Assim, surgiram os Bondindinhos, que foram sucesso durante décadas no município. 

Entre as décadas de 80 e 90, foi inaugurado o Saloon, outro grande ponto turístico de Balneário Camboriú, cheio de atrações inéditas, como touro mecânico e dança cancan. O Saloon inclusive sediou um show enorme do Leandro e Leonardo, quando a dupla ainda iniciava sua carreira e o evento foi um grande sucesso.

Barra Sul, década de 90, cenário de grandes eventos (Arquivo/Grupo Tedesco)

Era também na Barra Sul que aconteciam todos os grandes eventos na orla da praia: shows de rock, campeonatos de Motocross, todos patrocinados pela Souza Cruz. 

A Barra Sul já era tão movimentada e agitada naquela época, com uma demanda tão grande de turistas, que contávamos com cerca de 300 colaboradores para dar conta de todos os empreendimentos e grandes eventos que ocorriam por lá. Foi assim por cerca de três décadas, em que a Barra Sul concentrou todas as atrações, tanto de dia quanto as baladas que atravessavam a noite.

A partir de 1999, com o lançamento do Parque Unipraias, a Barra Sul tornou Balneário Camboriú uma cidade turística ainda mais moderna e uma referência para o turismo nacional. O Unipraias, desde sua inauguração, oferece alta tecnologia aliada à conservação da natureza, sendo um sucesso e orgulho para nossa cidade há mais de duas décadas. Também o Barco Pirata, que há anos diverte as famílias que nos visitam, através de um passeio temático no mar das praias de Balneário.

Após o Unipraias, o Grupo Tedesco inaugurou a Tedesco Marina, que transformou a orla de Balneário Camboriú, atraindo as grandes embarcações, um novo nicho de turistas e valorizando ainda mais a região e toda a cidade. Mais recentemente, o Atracadouro Barra Sul, uma ideia visionária do Sr. Julio Tedesco que tornou possível a vinda de navios de cruzeiro para Balneário.

Enfim, acredito que a Barra Sul é a região que deu origem ao turismo de Balneário Camboriú como o conhecemos hoje, sempre lançando novidades, atrações modernas e movimentando a economia da cidade”.

  • Vilmar Machiavelli (Cri), colaborador do Grupo Tedesco há 45 anos.

“A noite de Balneário Camboriú me tornou artista”

(Arquivo Pessoal)

Maurício Simas (Escova)

“Tivemos muitas atrações na praia e nem de todas vou lembrar…Lembro do Coelho, dono do La Ronde, uma boate que ficava embaixo dos assentos do Cinerama Delatorre foi um ponto de referência no Estado todo. Os carros que não tinham um adesivo da La Ronde eram poucos.

Tinha o Kizumba, uma casa de samba, não lembro do nome dos donos. A minha referência do Kizumba era o falecido Juanito, músico, que era meu vizinho, meu amigo e tocava sempre lá e me dava o acesso.

Tem o bar Stop da Avenida Atlântica, ao lado do Boliche, que eram o ponto principal de encontro da juventude da época. 

O Stop era do Helinho Comicholli.

Lembro do Camboriú Country Club na Avenida do Estado entre as ruas 951 e 971, um lugar que quem é daqui conheceu, foi um grande clube. Ali o padrão das apresentações eram Benito de Paula, Alcione…

Tem o Seu Eli, que era dono do Mustache, outra referência.

E tem o Emeri uma enciclopédia sobre as noites de Balneário Camboriú.

Fui criado vendo e participando disto tudo.

Me tornei músico sozinho, sem estudo por ter vivido tudo isto, por descobrir em mim a arte, vendo e apreciando tantos artistas que aqui se apresentavam.

Escova (Arquivo Pessoal)

Eu trabalhei nas casas noturnas da Barra Sul, como Boliche, Baturité (Rancho) nem era pelo salário e sim para conviver com essas pessoas. 

Eu não tinha intimidade com o seu Dimas Campos, mas fui seu fã. Apreciava seu jeito de ser. Seus amigos. Eu presenciei Dimas Campos batendo papo com Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal Costa entre tantos outros que ele recebia no seu local reservado no Rancho. Na época existia um deck que dava entrada de barcos pelo rio Camboriú, então nas tardes de fim de semana ele recebia esses amigos e saía para navegar… depois chegava e ancorava seu barco, sempre havia muitos artistas. O cara era muito à frente de nosso tempo.

A noite de Balneário Camboriú me tornou artista e me desenvolvi aqui. Sou grato a tudo que esta cidade já me proporcionou.

Aproveitei a popularidade que a arte me proporcionou e me tornei no que sou hoje. 

Sou uma pessoa que realizou o sonho de ser aplaudido pela sua arte e ser aplaudido pelo meu trabalho realizado ao município através dos vinte e poucos anos dedicado à Semam e também ao parque da Santur onde trabalhei por muitos anos.

Grato Balneário Camboriú sempre te amarei!”

  • Maurício Simas (Escova) foi funcionário público. Continua fazendo o que mais gosta até hoje: música

“Barra Sul foi o grande point de várias gerações”

(Arquivo Pessoal)

Hideraldo Beline

“Em 72, 73 eu vendia cachorro quente no Pontal ou seja o Baturité, bem na curva do teleférico, ali eu tinha um carrinho de cachorro quente…e os barcos ali eram do arrasto do camarão, do peixe, não tinha esses grandes barcos pirata que tem hoje… e eu vendia cachorro quente para o pessoal que trabalhava nos barcos.Tinha Laranjinha, Crush e Pepsi, não tinha outra coisa e levava uma barra de gelo, não tinha luz elétrica, tinha lampião, molho pronto, salsicha e os pães e aquilo era o cachorro quente. Trabalhava o dia todo, ficava aquele cheiro de cebola…muitas vezes quando anoitecia eu ia atrás do Rancho do Baturité, não tinha a avenida Beira Rio, ali tinha aquelas bicas de água, eu me lavava ali, já levava um desodorante, um perfumezinho e já ficava pra noitada por ali mesmo.

Se não me engano em 74, meu pai e o Moacirzinho, que foi candidato a vereador do Iate Clube, fizeram um trailer de cachorro quente, de lata mesmo…e botamos lá…fiquei lá trabalhando. Depois trabalhei no mini golfe. Depois começou a era do Saloon, já era maiorzinho, ia lá pra namorar, antes do Saloon tínhamos a Gladson Disco Laser, a patinação no gelo, tínha o Rancho do Baturité, a boate chegando, teve o Havaí ali ao lado do Saloon, teve o boliche, alguns barzinhos com música…teve a Boca onde tinha Festival da Canção, shows, feiras, depois virou Shopping de Verão…eu lá metido, o Escova começou a tocar…no Rancho do Baturité tinha o Cuba usava um smoking preto com roxo, diferente dos outros garçons, ele chamava atenção…Depois veio o Juan tocando a boate com o pai do Jair, seu Chico na portaria, por muito tempo vimos essa gente ali…e no Rancho do Baturité era seu Paulo, inclusive ele morreu trabalhando na Barra Sul. Esse foi o início.

Depois o Havaí fechou. Eu montei o Estação Final e foi um sucesso e a meu ver, do tempo que fiquei lá, foi o bar mais movimentado. O Rancho era pagode; a boate era discoteque, e o Estação era música ao vivo, tinha poucos bares com música ao vivo…fizemos sucesso…aí tive o ‘Fora do Trilho’, depois o ‘Quiosquinho’, o ‘Dom Beline Xis-Picanha’, o ‘Último Gole’, cheguei a ter oito  bares no final da praia…o ‘Maracas Bem’, onde botei três televisões e passava os clipes , fitas do Pink Floyd, do Led Zepelin, era um sucesso. 

A Barra Sul era frequentada por diversas tribos. Tinha aquelas que gostavam de rock…outras de pagode, samba, pessoal do Blues, discoteque, MPB, a gente podia não andar junto, mas todo mundo se conhecia, porque o final da praia foi igual ao João Goulart daquela época…anos 70, 80…a maioria estudava lá…tinha gente da Vila Real, da Barra, do Nações, do centro, todo mundo se conhecia…havia aquela cumplicidade.

Essas tribos da Barra Sul muitas vezes se estranhavam, principalmente com as tribos de Itajaí e de fora, bagunçavam, o pau pegava, então briga não faltava por lá…segurança tinha, nós mantinhamos a ordem lá, porque tinha a Associação dos Donos de Bares e Restaurantes da Barra Sul, praticamente fui eu quem criei, todos pagavam uma cota por mês para manter a limpeza, porque chovia de copos e latinhas de manhã…nós mesmos que varríamos tudo lá, não tinha essa limpeza como tem hoje, e mantínhamos vigias de dia, porque abríamos à noite…de dia a gente dormia e aquilo lá ficava meio abandonado…

O Rancho e a boate eram grandes sucessos. O Rancho foi mudando de mãos, da família Campos do velho Baturité que montou, depois veio…pra encurtar…tinha o Cláudio Dalvesco com Julinho, tivemos o Marcos Schmidt, depois o Cacá, filho do Dimas Campos, voltou pra lá lá de novo, foram algumas fases, mudanças, mas alguns funcionários eram os mesmos e os pagodes eles mudaram, no começo era MPB, depois samba.

Na boate do Baturité, o Juan era o grande responsável, mas o que menos ganhou dinheiro…

Lembro de alguns clientes da minha época… o Bareta (Antonio Carlos Martins), o Fernando Nascimento, o Escova, o Nadinho, Carlos Alberto Ferreira, o Plautz, Negrito, Vinicius, que era da Vovó Dilecta, o Duda, irmão do Paulinho do Jornal, o Demóstenes, Sílvio, Celinho, aquele pessoal antigo tudo frequentou a boate Baturité…no Estação Final era a turma do Jonas, do Serginho, o Dado, o Júlio Tedesco ia muito lá, gostava do barzinho e era um orgulho para nós recebê-lo, e as brigas geralmente eram contra os argentinos e o pessoal de Itajaí, nós ia para Itajaí e apanhava…eles vinham para cá e apanhavam aqui…era terrível…

Drogas? Nem todo mundo usava, mas quase todo mundo que usava dava um pulinho no Baturité, criou-se a fama por causa disso…mas a maioria eram homens…na época as meninas eram mais comedidas…mas os homens eram terríveis…era maconha na época, depois anfetaminas, aí a cocaína…as boletas…

Esse era o Pontal…depois chamado de Baturité…depois ficou Barra Sul…não tinha Beira Rio, era terrível para se chegar lá…a inauguração da Beira Rio foi no meu bar Estação Final, estavam lá o Cri, o Júlio, o pessoal do Tedesco me deu 50 champanhas daquelas boas…uns 5 mil salgadinhos, fizemos um coquetel lá, de dia…

Essa é a história que lembro da Barra Sul. Lá passaram diversas gerações por mim…quem teve na Barra Sul diz até hoje…lá era bom…não é que era o lugar mais especial…é que não tinha outro lugar como aquele, onde podia ter música ao vivo, era o lugar do som alto, da rapaziada, do bondindinho lotado com gente pendurada por todos os lados…tenho muita saudade dessa época…foi o grande point de várias gerações…

  • Hideraldo Beline foi funcionário público e atualmente trabalha com comércio.

“Mergulhos em Laranjeiras antes de ir ao Baturité”

Adriane mora em Curitiba, mas sempre que pode vem passear em Balneário (Arquivo Pessoal)
Adriane continua frequentando Balneário como turista (Arquivo Pessoal)

Adriane Paupério

“Lembro que uma época jogávamos golfe, mais ou menos uns 40 anos atrás e poucos anos, depois íamos no Saloon…no Estação Final, que foi o melhor bar de Balneário Camboriú…Lembro desta época das bandas maravilhosas e eram locais que tocavam (rock e MPB) seeeempre nestes bares e todo mundo adorava…sempre íamos também no Rancho do Baturité, para depois ir para o Baturité (boate) dançar até amanhecer…Isso quando não íamos mergulhar em Laranjeiras, porque a praia era deserta, antes de ir para a boate…lembro bem de uma noite de lua cheia… eu, a Marisol, o Gustavo e acho que a Marília também já arrumados para o sábado à noite, resolvemos tomar uma cerveja em Laranjeiras antes de ir para o Baturité… chegando lá não havia nada aberto, tudo escuro e vazio, só o mar e a lua iluminando… imagem inesquecível…

Sabe o que fizemos? Resolvemos mergulhar…Deixamos as roupas em uma pedra que tem do lado esquerdo da praia e ficamos na água por muito tempo…Para jovens tudo é fácil… depois colocamos as roupas, molhados mesmos, e fomos dançar na boate de cabelos molhados… Foi incrível!

Normalmente fazíamos o contrário… dançávamos até muito tarde e nossa preocupação era em qual praia iríamos ver o nascer do sol…Praia Brava ou Laranjeiras? ou Praia do Pinho ou em Balneário mesmo? Tudo com muita segurança, pessoas incríveis, nunca passei apuros… aliás esse lugar era incrível e mágico…Não precisávamos de dinheiro nem drogas, o clima das pessoas e dos lugares era absurdamente maravilhoso…

Hoje não sei se é assim….Passei toda minha infância e adolescência aí… Pena que nessa época não tirávamos fotos. Vivi momentos incríveis e inesquecíveis nesta cidade que amo de paixão!”

  • Adriane Paupério é fonoaudióloga e reside em Curitiba

“Toc Toc foi um dos maiores bares de reggae de SC”

Toc Toc, o ‘berço’ do reggae na praia (Arquivo Pessoal)

Zezé Wolff

“O Toc Toc nasceu junto ao velho ‘Estação Final’, nos anos 90 foi considerado um dos maiores bares de reggae de Santa Catarina, na época foi o único de seu gênero na região. Um bar que escreveu história em Balneário Camboriú, sempre lotado de surfistas e amigos que curtiam uma boa dose de reggae. 

Vendíamos aproximadamente 50 caixas de cerveja garrafa, caipira de vinho e uns 1000 toc toc (porradinha) toda noite, era uma loucura…..literalmente. 

Muitos iniciaram namoro no Toc Toc e hoje seguem casados, o bar tinha uma energia incrível, como dizem hoje em dia uma “Good Vibe”…

Tivemos vários momentos incríveis, um deles foi quando a banda The Wailers fez sua apresentação no antigo Auto-Cine e após o show eles foram conhecer o Toc Toc, mas o ápice da emoção foi na noite de encerramento do Toc Toc,  um dos amigos encontrou uma lata de tinta preta e todos pintaram seus rostos, lágrimas e sorrisos completaram a noite, ao contrário do reggae o encerramento se deu ao som do Rappa com a música “Pescador de Ilusões” …Sim valeu a pena…

Após o encerramento do Toc Toc (depois da temporada de 1997)  Baby que gerenciava os bares do Baturité me convidou para abrir um pequeno Toc Toc dentro do In-Dustrya, mas não era o bar e sim apenas para vender a bebida que deu o nome a um dos bares mais incríveis da Barra Sul….

Também lembro de muitas pessoas daquela época…o Rodrigo Pezão que tinha o Jak Tequila na Barra Sul, o Baby que foi uma pessoa fantástica, gerenciou ou era dono dos bares do Baturité, depois foi dono do IN-Dustrya, faleceu alguns anos atrás…”

  • Zezé Wolff gerenciou o Toc Toc. Atualmente é diretora do Patrimônio Público do Município.

“Me preocupava com os jovens, como se fossem meus filhos”

Juan Amaya (na foto com a namorada Maria Cristina Zonta), responsável pelo sucesso do Casablanca, na época ele era apontado como ‘rei da noite’. (Arquivo Pessoal)
(Arquivo Pessoal)

Juan Carlos Amaya

“No dia do Município, comemoro meus 41 anos de cidadão Balneocamboriuense e amor por esta cidade que me deu a oportunidade de trabalho e de formar minha família, com minha mulher Cristina que me deu dois filhos maravilhosos, Ornella e Anthony. 

Iniciei minha vida noturna no ano de 1980 até 1995. Tive a sorte de ter diferentes comércios que me deram reconhecimento e destaque na vida noturna, ajudando de alguma maneira poder participar e contribuir para o progresso e desenvolvimento da cidade, que está cada dia mais linda. Por isso agradeço a Deus por me dar essa oportunidade por viver aqui! 

O que mais marcou na minha trajetória, foi ver a juventude se divertir e que pude curtir o momento deles. Foram meus clientes, colegas e no fim, amigos. Me preocupava com os jovens, como se fossem meus filhos. Hoje, todos adultos, com família e filhos. A maior recompensa é quando me encontram com abraços e dizem que fiz parte da vida deles! Isso não tem preço. Hoje sou Corretor de Imóveis, tenho imobiliária. O meu passado ainda me ajuda a fechar negócios. 

Casas noturnas: Boate Baturité, Casablanca Piano Bar,Vídeo Bar Baturité, Café Bar Baturité, Discoteca Casablanca Balneário Camboriú e Itajai, Discoteca Baturité Blumenau, Kalaiami Florianópolis, Restaurante Samburá, Stop Restaurante, Alquimia Bar, Restaurante 1450. 

Parabéns Balneário Camboriú pelos 57 anos”.

  • Juan Carlos Amaya é atualmente corretor de imóveis 

Christina Barichello

Christina foi a primeira Rainha do Baturité (Arquivo Pessoal)

“Na minha juventude em Balneário Camboriú, o Baturité não era só uma casa noturna, era onde esperávamos a semana toda para encontrar os amigos, para dançar, namorar e por isso havia uma expectativa muito grande. Praticamente era nossa Disneylandia.

Sabíamos até a sequência das músicas que o DJ Japa colocava…Ritchie…Menina Veneno, Dary Street etc…

Tinha hora para chegar em casa…mas sempre ultrapassava o limite estipulado pelo meu pai que, às vezes, dava uma incerta e ia atrás…mas o que importava mesmo era estar lá. 

(Arquivo Pessoal)

Até que um dia Túlio Cordeiro me convidou para concorrer no concurso Rainha do Baturité. Era desfile de roupa de festa e de maiô. Coloquei um vestido branco de paetê, depois o maiô verde limão…ganhei e foi uma explosão de emoção! Me sentia uma Rainha de verdade…

Coisas  da juventude…diziam que eu era lindaaa…mas passou…e a doce lembrança volta quando escuto alguma  música da época…

São as memórias afetivas que ficam…”

  • Christina Barichello é atualmente secretária da Inclusão Social de Balneário Camboriú

André Gevaerd

Balneário Camboriú, na década de 1990 (Sectur/BC)
(Divulgação)

“Os anos 90 foram minha época de descobertas. A confusão de um jovem descobrindo as praias, as possibilidades de diversão e os caminhos da vida. Hoje fica claro que era uma fase mais calma durante o outono e inverno, que aumentava a espera pela agitação do verão. 

Mas algumas coisas ficam… como longos passeios a pé ou de bicicleta pela praia, as ondas que quebram a todo momento, o milho e o churros do passeio. A bola gigante e colorida e também a caipirinha no copão de garrafa. Muchachos e muchachas, gauchada, turma de Ccuritiba, e muito mais gente diferente chegava para ser a atração dos moradores.

Lembro de descobrir a juventude nas noites de Balneário. Na minha época o programa começava nos quiosques onde encontrávamos os amigos, passava pelos bares de rock para ouvir música e descobrir as novidades e terminava nas festas conhecidas da época, como o Baturité e Ibiza. Teve um tempo inclusive que tinham festas começando depois das 4 ou 5 da manhã e que se alongavam…

Acho que para quem mora aqui, a cidade é diferente do que para quem vem de fora visitar. Nossa memória se resume cada vez mais a lembranças de um tempo que se foi e fotos de casas, lugares e ruas que não existem mais. Fica mesmo é a vontade de construir um futuro melhor”.

  • André Gevaerd é cineasta e empresário

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