Prefeitura entregou Centro de Convivência da Vila Real

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O Centro de Convivência João Gerônimo Vicente, localizado na Rua Dom Daniel, no Bairro Vila Real, estava fechado para reforma desde 2020, pouco antes da pandemia. Nesta quinta-feira (7), o local foi entregue à comunidade, mas não houve nenhum ato oficial, o que gerou descontentamento em moradores do bairro.

“É algo que lutamos há muito tempo”

Moradores procuraram o Página 3 para relatar que não foram informados sobre a ‘reinauguração’, que na realidade não aconteceu. Jornalistas também questionaram a Comunicação da prefeitura, porque apenas foi divulgado que o Centro foi entregue à comunidade, sem de fato acontecer uma cerimônia ou algo oficial. 

A primeira-secretária da Associação de Moradores do Bairro Vila Real, Máuria Dalmas, disse que foi procurada por moradores e chegou a questionar a Secretaria de Inclusão, e que ninguém avisou sobre a entrega. 

“Ficamos sabendo pelo release da prefeitura. Na quinta-feira (7) entrei em contato com a Associação de Moradores do Bairro Iate Clube, porque é algo que lutamos há muito tempo, e a Inclusão negou que teria inauguração, e aí nos deparamos com a notícia de que foi entregue para a comunidade… mas entregue como”, perguntou.

Obra atrasou e teve aditivos

Um morador do bairro, que preferiu não se identificar, relembra que a obra foi contratada por R$ 298 mil, mas teve dois aditivos, um de R$ 108 mil e outro de R$ 5 mil, custando ao total R$ 417 mil. 

Em 2021, o caso foi denunciado ao Ministério Público, porque a obra atrasou (estava parada e tinha previsão de entrega em 2020), mesmo estando com boa parte paga pelo governo municipal (R$ 291,8 mil na época). 

“A prefeitura não fez vistorias, mas nós moradores fizemos e encontramos piso furado, esqueceram de colocar rodapés, nos banheiros faltavam porta sabonetes, porta papel toalha… estava sem tomadas, sem torneiras…”, disse. 

Ele citou que em agosto/2021 a Associação de Moradores chegou a solicitar que a prefeitura fizesse adequações na obra por conta dos defeitos encontrados em vistorias realizadas.

Segundo o morador, como a prefeitura queria reformar e não fazer uma nova obra, colocaram que iria acontecer o chamado sepultamento de estrutura – a estrutura original era de madeira e iriam fazer por fora dela com alvenaria. 

“Porém, a empresa tirou a madeira e fez uma estrutura nova, então é estrutura nova, e a prefeitura liberou. Usaram artimanha, porque por ser estrutura nova precisaria de licenciamento ambiental, e como alegaram que era reforma não precisaria. Entregaram e o local não está pronto, a comunidade até já estava usando. Ontem (quinta-feira, 7) eu perguntei se faltava algo e falaram que não tem luz de emergência, placa de lotação e extintores… tem muita coisa errada”, acrescenta o morador.

“Somos invisíveis?”

“Quer dizer que não temos valor? Que somos invisíveis? Tudo que foi feito para conseguir que esse Centro fosse finalizado, a luta da comunidade, tanto tempo que ficou fechado, não teve valor algum? Só fizeram um release dizendo que foi entregue? Já quando teve inauguração da Casa da Família chamaram ministra, isso e aquilo…”, comenta Máuria.

Moradores foram ao local na quinta-feira e se depararam com ele todo arrumado, mesas decoradas, e então ficaram sabendo que seria gravado um vídeo institucional, mas que quando o Centro fosse entregue, seriam avisados, o que não aconteceu. “Foi entregue para quem? Sendo que nem a comissão do próprio Centro Comunitário sabia? Estamos muito chateados”, completa Máuria.

O que diz a secretária de Inclusão

A secretária de Inclusão Social de Balneário, Christina Barichello informou ao Página 3 que não houve uma ‘reinauguração’ do Centro, porque foi apenas uma reforma e não a construção de um novo local. 

“Requalificamos as estruturas, que antes eram de madeira e estavam cheias de cupim, resolvemos situações com avaria, a parte de tijolos foi pintada, compramos novos móveis para a cozinha, como freezer, geladeira e fogão, novas mesas também. Foi feito jardim. Pensei que seria o suficiente requalificar para a comunidade. Como inaugurar uma obra que foi apenas feita reforma e requalificação”, pergunta.

Christina informou que não houve nenhum evento e que não acontecerá, já que foi uma obra de manutenção que cabe ao poder público. 

“Fizemos a licitação, a empresa ganhou, tivemos que rever porque houveram alguns problemas. Com a pandemia naturalmente não poderia estar aberto, e agora terminamos as obras e reabrimos. Está pronto, o prefeito ia avisar quando isso acontecesse e aí a prefeitura fez o texto. Deveria ser motivo para comemorarem. A Casa da Família foi inaugurada porque é algo novo, que foi criado agora. O Centro Comunitário da Vila Real já existe há 20 anos”, completa.

Local poderá ser utilizado na próxima semana

Segundo a prefeitura, a partir da próxima semana, a comunidade já pode usufruir do espaço e agendar eventos. Lá também acontecem cursos, oficinas e atividades culturais e esportivas. O Centro terá uma programação voltada à comunidade da Vila Real, que em breve será divulgada.

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