Transporte coletivo prestes a ser suspenso em Balneário Camboriú

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Um documento enviado à Câmara de Vereadores pela PGTur, concessionária do transporte coletivo em Balneário Camboriú, mostra que o modelo de operação atual  é inviável e que os prejuízos deverão levar ao encerramento do serviço em breve.

A PGTur sucedeu a Expressul que desistiu do serviço por causa dos prejuízos, decorrentes do desinteresse da população de andar de ônibus. 

O documento enviado à Câmara, em resposta a um questionamento do vereador Cristiano José dos Santos, mostra que para a concessionária o custo no mês de abril foi de R$ 1.451.642,0o e a receita em torno de R$ 160.000,00.

O Página indagou à direção da concessionária se, no cenário do documento ao qual a reportagem teve acesso, o serviço está prestes a ser suspenso para evitar a continuidade dos prejuízos e recebeu de volta uma longa resposta:

“Dentro do atual cenário, se continuar do jeito que está, sem qualquer movimentação por parte do poder público por mais 2 meses, a empresa será obrigada a parar a operação, pois não terá dinheiro para o diesel e para honrar a folha dos funcionários. 

Quando a PGTur assumiu a operação, tínhamos ciência que no mínimo 3 meses seriam de prejuízos. Ocorre que já estamos em 6 meses de prejuízo e, em resumo, a empresa está bancando o transporte público de Balneário Camboriú. 

O cenário pré-pandemia, que nos levou a assumir a concessão, era de aproximadamente 7 mil pessoas por dia utilizando o transporte público na cidade. Mesmo assim a antiga concessionária já tinha prejuízos. Hoje, o número de usuários diários não chega a 1000.

Porque assumimos mesmo sabendo dos prejuízos?

Tendo os números, trouxemos uma frota melhor que a anterior, veículos mais confortáveis, com ar-condicionado, acessibilidade e mais tecnologia, para assim tornar o transporte público mais atrativo e aumentar o número de passageiros. O problema é que isso não foi suficiente.

Tendo algum tipo de subsídio do poder público e as canaletas exclusivas para serviço, a empresa terá condições de melhorar e modernizar o transporte, atraindo assim mais usuários, tanto pelo valor quanto pela agilidade no serviço.

NÃO TEM DEMANDA

As estatísticas mostram que apenas uma minoria dos moradores de Balneário Camboriú anda de ônibus.

O concessionário solicitou reajuste da tarifa de R$ 4,50 para R$ 6,20, mas isso não resolve o problema essencial que é a falta de passageiros. 

A PGTur considera indispensável que sejam criadas faixas preferenciais de ônibus (e veículos de segurança e saúde) em toda extensão da Martin Luther, Terceira Avenida, Quarta Avenida e Avenida do Estado, o que foi idealizado no governo Piriquito e nunca posto em prática, devido ao receio do político de plantão com a uma furiosa reação dos motoristas que já sofrem num trânsito ruim.

A empresa sugere também o fim do estacionamento na Avenida Brasil, o que tende a gerar xingamentos generalizados contra o prefeito.

Não deve ser descartada a hipótese da PGTur estar pressionando por um subsídio que, segundo consta no documento enviado ao vereador, seria de R$ 900 mil mensais.

Neste caso, o prefeito  irá se incomodar com o Ministério Público e o Judiciário, pois o atual modelo de concessão não prevê subsídios ao concessionário.

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