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Brasileiros eleitos nos EUA: quando a fronteira se transforma em ponte

Sete brasileiros eleitos nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos. Sete histórias que atravessaram fronteiras e encontraram nas urnas uma maneira de dizer: também pertencemos.

Todos democratas, conquistaram cadeiras nos legislativos estaduais de quatro estados americanos. Cinco renovaram seus mandatos; dois iniciam uma nova jornada. Massachusetts acolheu quatro deles: Priscila Sousa, Rita Mendes, Danillo Sena e Lorena Betts. Connecticut reelegeu Farley Santos; Nevada, Elaine Marzola. Na Flórida, Felipe Sousa-Lazaballet fez história ao se tornar o primeiro brasileiro eleito para o Legislativo estadual.

Há uma delicadeza quase invisível nessas trajetórias. Priscila chegou aos Estados Unidos aos sete anos, Rita aos doze. Danillo e Felipe tinham quatorze. Farley, apenas sete. Elaine atravessou o oceano ainda criança. Lorena deixou Mato Grosso para trabalhar como babá e encontrou na política outro modo de cuidar.

Alguns conheceram a vida sem documentos, a insegurança de não saber se o amanhã permitiria permanecer. Outros enfrentaram o trabalho duro, o idioma desconhecido e a necessidade de reconstruir a própria identidade. Hoje, ocupam espaços de decisão.

Felipe recebeu 62,4% dos votos na Flórida. Em Massachusetts, Priscila, Rita e Danillo renovaram seus mandatos; Lorena conquistou sua primeira cadeira. Farley e Elaine também foram reconduzidos às assembleias estaduais.

Talvez a imigração seja isso: carregar uma pátria dentro do peito enquanto se aprende a habitar outra. Não deixar de ser de onde se veio, mas descobrir que o pertencimento pode ter mais de uma morada.

Quando esses brasileiros atravessam as portas do Parlamento, não levam apenas seus nomes. Levam as histórias de quem trabalha silenciosamente para que os filhos tenham um futuro menos estreito.

A fronteira, afinal, não é somente aquilo que separa. Às vezes, é a linha que alguém atravessa para descobrir que o mundo pode ser maior do que o lugar onde nasceu.

E que a democracia, quando escuta, também sabe pronunciar nomes vindos de longe.