Há livros que lemos. Outros, inexplicavelmente, nos leem.
O Espelho que Respira pertence a essa rara espécie de encontros em que a palavra deixa de ser apenas palavra e se torna presença. Entre crônicas e delicadezas, descobri, ao escrevê-lo, que aquilo que mais escondemos de nós mesmos talvez seja justamente o que mais pede acolhimento.
Nem todo silêncio é ausência. Alguns guardam dores que ainda não aprenderam a falar. Outros esperam apenas alguém capaz de escutar sem a pressa de compreender e sem a crueldade de julgar.
Neste livro, o espelho não devolve rostos. Revela o que somos quando ninguém nos vê: as sombras, as perdas, os afetos interrompidos e a coragem quase esquecida de recomeçar.
O conflito, aqui, deixa de ser uma guerra entre verdades e se faz possibilidade de encontro. Porque é no outro que, tantas vezes, reconhecemos a parte de nós que abandonamos pelo caminho.
Não escrevi para oferecer respostas. Escrevi porque certas perguntas precisam de companhia. E talvez seja esse o segredo destas páginas: ninguém atravessa a vida sem ser tocado pela existência de alguém.
Quem abre o livro não leva apenas histórias. Permite que elas continuem respirando em outras vidas.
Há um espelho à espera. E talvez, pela primeira vez, ele não queira mostrar quem você parece ser, mas acolher quem você ainda não teve coragem de encontrar.

O lançamento, com sessão de autógrafos e conversa com o autor Mauro Gaglietti, será na sexta-feira, 23 de outubro, das 9h às 10h, no Teatro Municipal Bruno Nitz, em Balneário Camboriú, durante o 2º Festival Literário de Balneário Camboriú. Entrada gratuita.