(Marcos J. Lenzi*) – A apreensão é prima do medo, o medo toca nossos corações, e daí eles batem apreensivos diante das perdas que poderão acontecer.
Tudo bem, uma obra com projeto espetacular, que segue com futuro indiscutível: a ampliação da praia e sua infra estrutura necessária. Isso é líquido e certo…mas “medo” do quê? Simples: galinha velha não muda de ninho, sabiam disso? Nem com galinheiro novo.
Não se mexe em ninho, nem de galinheiro nem de bancos de praças. São células vivas de relacionamentos.
Falamos do sensível abstrato. É o medo de mexerem com nossos costumes, pequenos hábitos já arraigados, ao sairmos para “caminhar ou sentar na Atlântica”…
Temos uma jóia, única no mundo, que é a ala construída, bem cuidada, com enormes investimentos, e que são nossa marca registrada: a “face” da Atlântica, que hoje encanta o mundo. . .
Não me refiro ao mar, e sim ao passeio e “footing”, lembranças de mais de meio século, com as pessoas sentadas sob as árvores, de dia ou de noite….mas VOLTADAS PARA A AVENIDA e não para o mar…
Este hábito delicioso, característico de BC. que fez parte de várias gerações, parece que está em risco… de ser tirado de nós. …
Olhando a foto, Ilustração, não verá pessoas, e sim espaço perdido sob as árvores, mas com espaço para o caminhão do coco e outras “prioridades do trânsito”.
Ficaremos longe da Atlântica? Vemos na ilustração, que terá um canteiro raso, sob as frondosas árvores e sua sombra. …..Vão mexer no nosso ninho?…
Os moradores não querem ficar vendo só o mar, queremos ver pessoas e carros desfilando como “passatempo”. As pessoas querem ver uns aos outros e movimento de carros, ali, na frente …
E quando houver desfiles, todo domingo tem… olharemos lá do calçadão ou poderemos pisar sobre os canteiros? Posso assegurar por minha experiência, que pisarão sobre o canteiro sim irremediavelmente, até secar tudo e colocarem suas cadeiras de volta ali.
E nos 300 dias restantes do ano? Vamos ficar de costas para a avenida olhando o mar? O projeto é lindo mas pode ser frio, e nos tirar do hábito de sentar ao lado do amigo jogando conversa fora , vendo o desfile interminável de gentilezas, “bom dia…boa noite…”
Feita a análise, positiva, qual a sugestão? Pleiteamos a visão da face dos prédios, com vida latente e nossos bancos debaixo das árvores, onde ficamos com nossos amigos, comentando a vida que passa à nossa frente… PELA ATLÂNTICA maravilhosa e caprichosa. Não nos afastem dos nossos cachorrinhos e amigos nos velhos bancos de longa História.
Que assim seja…é possivel Prefeita?
(*Marcos J. Lenzi é publicitário, artista plástico, economista, empresário de comunicação e marketing.)