O Projeto de Lei 182/2026 propõe conceder o título ao Arrancadão de Canoas Artesanais e incluir a celebração no Calendário Oficial de Eventos do município.
A proposta é assinada por dez vereadores: Ciça Müller (PDT), Alessandro Teco (DC), Anderson Santos (PL), Aristo Pereira (PT), Elizeu Pereira (MDB), Kaká Fernandes (PL), Marcelo Damião (PSD), Samir Dawud (Cidadania), Ricardinho da Saúde (PRD) e Jade Martins (MDB).
O reconhecimento previsto no texto vai além da disputa entre embarcações. Abrange também o arremesso de tarrafa, o cabo de guerra, os versos improvisados, as cantorias, a culinária e outras práticas que fazem parte da convivência nas comunidades pesqueiras.
Na prova de canoas, os participantes reproduzem com os remos as técnicas utilizadas no cerco aos cardumes de tainha. Outras atividades também fazem referência ao trabalho dos pescadores, como o cabo de guerra, que remete à puxada das redes.
Se a proposta virar lei, caberá ao Executivo desenvolver ações de registro, documentação e preservação do evento e dos conhecimentos ligados a ele. O projeto prevê a participação dos pescadores artesanais, dos organizadores e de entidades culturais nesse trabalho.
O texto também permite que a Prefeitura apoie a realização da festa por meio de incentivo cultural, divulgação turística e estímulo a atividades como artesanato, gastronomia e construção e conservação de canoas. Esse apoio fica condicionado à disponibilidade orçamentária.
A realização deverá ser anual, preferencialmente após o encerramento da safra da tainha, com data definida pelos organizadores em conjunto com o poder público.
Oito edições e estreia feminina
Na justificativa, os autores destacam a oitava edição do Arrancadão, realizada entre 31 de julho e 2 de agosto deste ano. Segundo o documento, a festa reuniu pescadores de Santa Catarina e do Paraná e teve, pela primeira vez, uma categoria feminina na competição de canoas.
Os vereadores argumentam que o evento ajuda a transmitir conhecimentos entre gerações e mantém a ligação da cidade com as comunidades que tinham na pesca seu sustento antes da expansão turística.
A proposta busca somar o Arrancadão às manifestações e aos espaços da cultura pesqueira já protegidos no município. A justificativa cita os reconhecimentos concedidos à pesca artesanal da tainha, à Festa da Tainha e aos ranchos de pesca tradicionais.
O título e a inclusão no calendário oficial dependem da aprovação do projeto e de sua transformação em lei.