O palestrante Stalimir Vieira (Foto: Lucas Correia) O palestrante Stalimir Vieira (Foto: Lucas Correia)
O palestrante Stalimir Vieira (Foto: Lucas Correia)

Stalimir Vieira debate criatividade antes da IA em encontro na Univali

A experiência de cinco décadas na publicidade encontrou uma geração formada em meio à inteligência artificial na noite desta terça-feira (6), durante palestra do publicitário Stalimir Vieira, no Teatro Adelaide Konder, no Campus Professor Edison Villela (Itajaí), para discutir as transformações do processo criativo com a chegada da IA.

Na palestra ‘Cabeças a prêmio: um mergulho no processo criativo pré-IA’, Vieira revisitou práticas, experiências e formas de pensar a criação publicitária anteriores às ferramentas de inteligência artificial e colocou esse repertório em diálogo com o cenário atual.

Ao comentar uma pesquisa recente sobre a relação com a geração Z e os impactos da tecnologia nas relações humanas, Vieira citou a sensação de solidão entre jovens mesmo em um contexto de intensa conexão digital.

A partir desse cenário, questionou o uso de dados e algoritmos para decisões que envolvem pessoas, como processos de seleção profissional. Para ele, especialmente na publicidade, conhecer trajetórias, sonhos e ambições é fundamental para reconhecer potencial criativo que não aparece em um currículo ou em uma base de dados.

Foto: Lucas Correia
Foto: Lucas Correia

“Precisamos colocar de novo gente para cuidar de gente. Você não pode ficar baseado apenas em dados e números; precisa conhecer as pessoas, entender o que elas sonham e o que elas ambicionam”, afirmou.

A palestra partiu da experiência de Stalimir Vieira em um período no qual o processo criativo publicitário dependia de repertório, observação, discussão e construção coletiva de ideias, antes das ferramentas de inteligência artificial incorporadas hoje à rotina da comunicação. A proposta do encontro colocou essa experiência em diálogo com o cenário atual e com as mudanças que a tecnologia produz na criação, comunicação e mercado de trabalho.

Ao falar especificamente sobre o trabalho criativo, Vieira defendeu que a inteligência artificial seja utilizada como ferramenta, sem substituir o protagonismo de quem cria.

“Eu vou usar a ferramenta, sim, para aperfeiçoar, enriquecer e trazer talvez insights que eu não tive. Mas a ideia nasce em mim”, defendeu.

“O trabalho autoral é sempre da nossa experiência. Cada um tem a sua. Quando ela se conecta com uma demanda, você vai fazer uma leitura particular, com o seu jeito de olhar aquela demanda. É aí que nasce o trabalho verdadeiramente autoral”, complementou.

O evento também marcou o lançamento oficial do livro “Provocações: 99 artigos de um publicitário que perdeu o emprego, mas não a opinião”. A obra reúne crônicas e reflexões sobre bastidores, mudanças e caminhos do mercado publicitário brasileiro, combinando memória profissional, observação do setor e comentários sobre suas transformações.

“Este evento provoca uma reflexão sobre as transformações do processo criativo com a chegada da inteligência artificial. A experiência de um profissional com 50 anos de carreira permite resgatar práticas e vivências anteriores à IA, aproximando diferentes gerações e promovendo muita troca de conhecimentos”, afirma a coordenadora do curso de Publicidade e Propaganda da Univali, professora Daniella Cristina Rebelo. Para ela, a presença do publicitário aproxima a comunidade acadêmica de uma discussão que atravessa o cotidiano de quem trabalha com comunicação.

A trajetória de Vieira inclui a liderança da criação em agências que integram a história da publicidade brasileira, entre elas W/Brasil e DPZ. A experiência acumulada em diferentes momentos do setor permitiu ao autor abordar as transformações da atividade a partir da própria vivência profissional e das questões que permanecem abertas diante da inteligência artificial.

A programação foi promovida pelo curso de Publicidade e Propaganda da Univali e aproximou formação acadêmica, mercado e discussão sobre os rumos da comunicação diante da inteligência artificial.

Texto: Assessoria Imprensa/Univali