Em maio de 2002 parti, com uma amiga, para Amsterdam, visitar exposição de Vincent Van Gogh e Paul Gauguin da fase em que moraram juntos na Casa Amarela, em Arles, em 1888 e percorrer os caminhos da arte impressionista.
Visitamos a casa de Renoix, em Cap Ferrat, no sul da França. O ateliê de Paul Cézanne em Aix-em-Provence, e a casa e os jardins maravilhosos de Monet, em Giverny, perto de Paris.
No pouco tempo que Van Gogh morou em Paris, fez amizade com Toulose Lautrec, Seurat e Paul Gauguin, nos bares em que bebiam absinto para discutir pintura. Van Gogh, tinha um temperamento imprevisível e violento, gritava e era exasperado nas suas opiniões.
Em face às dificuldades de expor e vender as telas, o grupo se separou, indo, Van Gogh para Arles, ao Sul da França, alugando um sobrado amarelo. Maravilhado com sua casa decidiu criar uma colônia de artista, projeto antigo, e queria que Gauguin fosse o primeiro a se associar. Van Gogh tinha Gauguin em alto apreço, mas Gauguin conhecia o temperamento do colega e só acabou concordando com intercessão de Theo, irmão de Van Gogh.
Para esperar o amigo, Van Gogh pintou as famosas cadeiras, uma para Gauguin e outra com o cachimbo, sua. Pintou a tela, O Quarto, que preparou para Gauguin. Por dois meses os dois pintaram juntos, autorretratos, retratos recíprocos e os famosos girassóis.
Numa discussão, o arrogante Gauguin exasperou o amigo que lhe jogou um copo de absinto e o ameaçou com uma navalha. Gauguin saiu da casa e Vincent, arrependido e furioso, cortou o lóbulo da própria orelha. Vincent foi internado num hospital e quando retornou, havia um manifesto de 80 pessoas da cidade exigindo que o “louco”, fosse embora.
Em seguida, Van Gogh, com medo da própria loucura, internou-se no hospício em Saint-Remy. Tinha convulsões e alucinações, mesmo assim produziu 200 telas no ano em que ficou internado. Em seguida começou a ser conhecido e chegou a vender uma tela, a única em vida.
Assim, é que em maio de 2002 foi aberta a mostra dos trabalhos dos dois pintores da fase da Casa Amarela, a qual tivemos a oportunidade de apreciar, no Museu Van Gogh em Amsterdam. Nesta viagem, minha amiga e eu, fizemos o percurso da vida de Vincent na França, indo até o local onde se situava a Casa Amarela, em Arles, ao Hospício em St. Remy; na esquina onde pintou a Noite Estrelada, em Arles. Vimos, debaixo de muita chuva, o parque Les Alyscamps, onde pintou várias telas, e vários outros locais em que pintou, como a igreja em Auvers.
Por fim, choramos no quarto onde ele faleceu, no albergue Ravoux, em Auvers Sur Oise, perto de Paris, nos braços do irmão. Nos emocionamos aos pés da tumba dele e do irmão devotado, Theo, em Auvers. Theo foi quem o sustentou e deu apoio irrestrito durante a vida. A morte de Théo foi súbita e inexplicável seis meses depois que Vincent faleceu.
“Não posso evitar o fato de que meus quadros não sejam vendáveis. Mas virá o tempo em que as pessoas verão que eles valem mais que o preço da tinta.” Van Gogh tinha razão.