Uma investigação sobre um suposto esquema de agiotagem e lavagem de dinheiro resultou na prisão preventiva de um homem e no bloqueio de mais de R$ 5,4 milhões em Balneário Camboriú e região.
A Operação Faenus foi realizada pela Polícia Civil na quarta-feira (2). Ao todo, foram cumpridos oito mandados de busca e apreensão. O homem preso é apontado pelos investigadores como o líder do grupo.
Além da prisão, a Justiça determinou o bloqueio de contas bancárias, o sequestro de cheques e notas promissórias, a indisponibilidade de imóveis e de cotas de uma empresa investigada e a aplicação de restrições sobre oito veículos.
Empréstimos teriam juros de mais de 40% ao mês
Segundo a Polícia Civil, o grupo emprestava dinheiro e cobrava juros que, em determinadas operações, ultrapassavam 40% ao mês.
Cheques e notas promissórias eram exigidos dos clientes como garantia do pagamento. Esses documentos também foram atingidos pelas medidas judiciais. A investigação procura esclarecer o volume total movimentado pelo grupo, a origem dos recursos empregados nos empréstimos e a maneira como os valores retornavam aos investigados.
Contas de familiares eram usadas para receber valores
Os policiais suspeitam que parte do dinheiro proveniente da agiotagem circulava por contas bancárias pertencentes a familiares dos investigados. Uma empresa também teria sido utilizada para dissimular as movimentações financeiras. Conforme a apuração, ela não funcionava no endereço declarado oficialmente e registrava valores incompatíveis com o porte informado.
Bens de maior valor estariam registrados em nome de parentes, estratégia que, para a Polícia Civil, teria sido adotada para dificultar a identificação do patrimônio ligado ao suposto esquema.
A investigação trabalha, portanto, não somente com a suspeita de concessão ilegal de empréstimos, mas também com a possível prática de lavagem de dinheiro.
Mais de R$ 3 milhões foram bloqueados em contas
As medidas determinadas pela Justiça concentraram-se em atingir a estrutura financeira do grupo. Mais de R$ 3 milhões foram bloqueados em contas bancárias. Cheques e notas promissórias que somam aproximadamente R$ 1,5 milhão foram sequestrados.
Imóveis também foram colocados em indisponibilidade, assim como as cotas sociais da empresa apontada como possível fachada. Com as diferentes medidas somadas, o patrimônio alcançado pela operação supera R$ 5,4 milhões.
Carro de luxo e moto aquática estão entre os bens atingidos
Oito veículos receberam restrições de circulação e transferência. A medida impede que os bens sejam vendidos ou transferidos enquanto avança o processo. Entre eles estão um automóvel de luxo avaliado em mais de R$ 450 mil e uma moto aquática. A restrição patrimonial procura preservar os bens para uma eventual recuperação de valores ao final da investigação e do processo judicial.
Outros investigados não foram presos
Além da prisão preventiva do homem apontado como líder, a Justiça impôs medidas cautelares aos demais investigados. Eles ficaram proibidos de exercer atividades de natureza econômica ou financeira relacionadas aos fatos apurados. Também não poderão constituir novas sociedades empresárias nem entrar em empresas já existentes. As restrições são alternativas à prisão e deverão permanecer válidas conforme a determinação judicial.
A Operação Faenus é conduzida pela Delegacia de Repressão a Roubos de Itajaí (DRR). A ação contou com o apoio da Delegacia de Combate às Drogas (Decod), da Delegacia de Homicídios (DH) e de delegacias vinculadas à Delegacia Regional de Polícia de Itajaí.
A apuração continua para individualizar a participação de cada suspeito e esclarecer a extensão das operações financeiras.