Os irmãos Van Gogh – Vincent e Theo

Vincent Van Gogh, antes e depois de se tornar pintor, teve uma vida muito difícil, no entanto, teve em Theo, seu irmão o amor e apoio (também financeiro) a vida toda. Essa fraternidade entre eles, esse devotamento de Theo para o irmão mais velho, o acompanhará a vida toda. Eram seis irmãos, filhos de pais amorosos, nascidos no interior da Holanda, cujo pai era pastor.

Vincent foi uma criança voluntariosa e um adulto excêntrico, com dificuldades de sociabilidade. Tentou, infrutiferamente, outras profissões como vendedor, pastor e professor, conforme relata a cunhada, Johanna Van Gogh-Bonger, na biografia do pintor, mesma obra onde encontramos as Cartas de Theo, e as Cartas de Vincent. (L&PM Ed. 2004)

O amor fraternal de Theo para o irmão, o levou a sustentar materialmente o pintor, toda a vida. O dois tinham uma relação muito próxima e Theo, enquanto galerista, em Paris, tentou vender as obras do irmão, sem sucesso. O vínculo afetivo entre eles e a cunhada era muito forte. Vincent foi padrinho do filho de Theo, Vincent também, depois herdeiro de toda a obra do tio.

Vincent foi sempre solitário, teve um amor não correspondido por uma prima que o fez sofrer muito. Depois, viveu pouco tempo com uma mulher, alcoólatra que tinha um filho, o qual Vincent amava muito, mas a convivência foi insuportável.

Vincent foi para a França em busca da luz. Residiu em Paris e depois na Provence, em Arles, Saint-Remy de Provence e Saint Paul de Mausele onde ficou internado no hospital psiquiátrico. Terminou seus dias em um lugarejo, Auvers-sur-Oise, onde foi em busca de tratamento psiquiátrico com o Dr. Gachet, de quem fez o famoso retrato.

Em Auvers, ficou 70 dias e pintou mais de 70 telas. Ficou hospedado no albergue, Auberge Ravoux, onde faleceu, aos 37 anos, no quarto n. 5, em decorrência de um tiro, que segundo a maioria foi suicídio. Existem dúvidas acerca deste ato, pode ter sido uma bala perdida de alguns caçadores próximos ao local, onde estava Vincent, ao ar livre, pintando.

Theo, não suportou a morte do irmão e com saúde debilitada morreu poucos meses depois. Estão enterrados lado a lado no pequeno cemitério de Auvers.

A genialidade de Van Gogh foi reconhecida, post mortem, através do trabalho incansável de Johanna,  que também escreveu a biografia do cunhado e publicou as cartas, 20 anos após.

Em 2002, fiz uma viagem pela Europa, com uma amiga, percorrendo todos os lugares em que Van Gogh pintou, até o quarto onde faleceu e o cemitério onde estão os irmãos. Emocionante. Essa peregrinação será objeto da próxima coluna.